Prótese de crânio em 3D é usada pela primeira vez no Distrito Federal

Correio Braziliense

A primeira paciente a passar por uma reconstrução de crânio com a ajuda de uma prótese em 3D no Distrito Federal se recupera bem. O procedimento, inédito em Brasília, ocorreu em setembro e, após 2 meses e meio, a estudante Santana Rodrigues, 24 anos, se surpreende com o resultado. “Hoje, o meu olho tem um pequeno inchaço, mas quase imperceptível. Saí da cirurgia enxergando perfeitamente”, comemora. A intervenção foi realizada por três médicos: o neurocirurgião Renato Silva; o oftalmologista e especialista em órbitas e vias lacrimais Rodrigo Durães; e o otorrinolaringologista e cirurgião crâniomaxilofacial Diderot Parreira. Ela ocorreu no Hospital Santa Luzia (916 Sul).

Santana se submeteu à cirurgia depois de começar a perceber que o osso acima da sobrancelha direita crescia sem motivo aparente. Com o tempo, a visão ficou comprometida. “Eu demorei para me preocupar. O crescimento era muito lento. Mas, em 2014, eu percebi que não conseguia enxergar se olhasse para cima”, relembra. No início, o que parecia um galo virou uma displasia fibrosa. A doença provoca desgaste, crescimento ou lesões ósseas. O quadro levou a um tumor benigno, o que provocou a expansão do crânio e o enfraquecimento da região.

Antes do procedimento, Santana enfrentou o drama de ter a intervenção negada pelo plano de saúde. “Demoraram para entender a doença e a gravidade”, conta Santana. Para resolver o problema, que durou mais de seis meses, ela entrou em contato com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que ajudou no processo, e o plano de saúde liberou a cirurgia. Segundo a estudante, se não tivesse obtido a autorização, não seria operada. “Isso tudo não é barato. Só os materiais, segundo o plano de saúde, custam R$ 370 mil”, ressalta.

Alta complexidade
A cirurgia, bastante delicada, ocorreu em 3 de setembro. Durou cerca de 6 horas. Santana acordou lúcida da anestesia geral, passou três dias na UTI sob observação e ficou afastada durante 45 dias de qualquer atividade. Renato Silva explica que, sem a tecnologia 3D, seriam usados na reconstrução materiais como tela de titânio ou cimento ósseo regenerativo (leia Como funciona). “Sem ela, nós teríamos de moldar durante a operação, e esse material de acrílico precisa estar quente para ficar moldável. Não poderíamos liberar calor próximo ao cérebro. Desenvolvendo a prótese do tamanho exato antes do procedimento, ela vem fria e esterilizada”, explicou o neurocirurgião.

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