Ícone do site Repórter Nordeste

Projeto faz homenagem e revela talento em Matriz

Sendo alagoana nascida em Maceió, cresci e vivi parte da minha história de vida em Matriz de Camaragibe, de onde retiro a maior parte das minhas memórias em conexão com estudos que faço, como cientista social que sou, considerando aquela amostra de mundo.

Nessa condição, fui objeto de uma pesquisa realizada por estudantes do Ensino Médio de uma escola estadual, entre outros nomes locais ligados a arte e cultura.

O projeto “Identidade Memórias de Matriz: 1. Diversidade Cultural: nossos escritores”, sob a batuta das professoras Carla Fernanda e Janeide Maria, mais o coordenador mentor Ronivaldo, acompanhados pelos alunos monitores Rhadassa Tainá e Antony Gabriel, e demais estudantes participantes, abrilhantou a unidade escolar com uma finalização impecável.

Incentivar estudantes a pesquisar referências culturais locais, sejam estas falecidas ou ainda vivas e atuantes, é uma maneira de aproximar os que estão iniciando uma trajetória de formação  daqueles que abriram caminhos, superando obstáculos e expressando outras experiências, através das artes, sobretudo, as literárias.

Em cidades interioranas, que permitem maior conhecimento entre os habitantes, reunir ex-estudantes de escolas públicas locais que hoje atuam em áreas de destaque, inclusive como professores e educadores, é uma forma de provar o valor da educação formal, o efeito da experiência formativa para o futuro.

Uma das características valiosas do projeto, foi descobrir talentos e permitir a visibilidade de quem está começando na escrita, como a estudante Kailany Calheiros, que escreveu o poema “Onde o Bom Jesus mora”, que publicou no Portal Escritores e também recitou na apresentação do projeto.

Onde o Bom Jesus mora

Lá em Matriz, bem no coração,

Tem um povo arretado, firme que só.

Vive do que a terra dá, com fé na mão,

E um jeitinho danado de dar nó em qualquer nó.

 

O rio corre contando segredo,

A cidade escuta calada, devagar.

Cada rua tem lembrança, tem enredo,

Tem história que ninguém pode apagar.

 

O padroeiro é o Bom Jesus, nosso guia,

Tá sempre lá na igreja, olhando por nós,

Na festa d’Ele é reza, é alegria

É povo se juntando todo mundo numa só voz.

 

Tem feira com cheiro de milho assado,

Tem riso de criança, tem voz de ancião.

A vida ali é dura, mas ninguém fica parado

Porque tem esperança plantada no chão.

 

O tempo passa, mas fica guardado,

Na fala do povo, no cheiro do quintal.

Matriz é lugar simples, mas é sagrado,

Onde a memória vive no jeito natural.

 

E quem sai, volta um dia, só pra lembrar

Do gosto da infância, da benção de avó,

Do sino tocando, do céu a brilhar,

E do Bom Jesus, que nunca nos deixa só.

 

Como parte dessa história e dessa memória, reafirmo que: o que nos une sempre será maior do que aquilo que nos separa. Educação pública e de qualidade é o trunfo da nossa gente!

Sair da versão mobile