Senado e Câmara aprovaram: beneficiários de programas sociais serão obrigados a realizar cadastro com biometria.
“Ah, mas isso é muito bom. Tem muito pobre esperto que ganha dinheiro sem precisar”, diz alguém.
Também existem salários pagos a quem não trabalha nas assembleias legislativas, tribunais de contas, câmaras de vereadores, prefeituras.
Por que não se exige, também deles, biometria?
Aliás: o Congresso manteve os supersalários intactos, mesmo estourando o teto definido pela Constituição. Mas mexeu no Fundeb, o fundo de educação que é destinado ao ensino público.
Quem estuda nas creches e escolas públicas no Brasil? O filho do desembargador? Do juiz? Do general?
Não: é o filho do pobre.
As maiores fortunas do Brasil exigiram mudanças na fiscalização dos programas sociais. Lula e Haddad cederam. Porque quando a fiscalização aperta, ela também comete injustiças. Como, por exemplo, impedindo quem precisa de receber um salário mínimo para não ser visitado pela fome.
São estes- os mais pobres entre os mais pobres- tratados como os maiores inimigos do Brasil.
São mesmo? Não é o empresário que obtem isenções fiscais e nem será investigado sobre o destino do dinheiro? Ou o juiz recebendo auxílio alimentação e sem prestar contas do uso deste dinheiro?
Esse ódio aos pobres tem nome: aporofobia. Política levada adiante pelas grandes fortunas, avançando pelo mundo no Estado, convencendo os desavisados que temos poder público demais e as pessoas precisam aprender a pescar sozinhas.
Mas quem diz isso quer mais espaço para conseguir as generosidades do mesmo Estado.
Bom mesmo é o general preso por incitação ao golpe e recebendo salário. Ou aquele outro expulso do Exército e recebendo aposentadoria militar.
Defender o indefensável mas ter aversão, rejeição ou hostilidade aos pobres que recebem programas sociais tem nome: aporofobia.
E se você é pobre e tem ódio de pobre a contradição está instalada. Por você mesmo.
