Diego Mendes-Folha de Pernambuco
O excesso de confiança de duas mulheres ajudou aos investigadores a colocá-las na cadeia. Depois de fazerem compras em uma rede de lojas usando documentos falsos, Iracema Batista da Silva, 23, e Viviane Guedes da Silva, 37, tiveram a ousadia de voltar ao mesmo estabelecimento sete dias depois para tentar trocar uma mercadoria. Resultado: desconfiados, os funcionários chamaram os policiais civis. A detenção da dupla aconteceu no último dia 23, no bairro da Madalena, Zona Oeste do Recife, e foi realizada pela Delegacia de Repressão ao Estelionato. O esquema foi detalhado na manhã de ontem, na sede da Polícia Civil, no Centro da Capital.
De acordo com o delegado-adjunto da Delegacia de Estelionato, Marcelo Guerra, as acusadas apresentaram identidades falsas e conseguiram crédito na loja. “Com a liberação do estabelecimento comercial, elas compraram vários objetos e ainda foram tentar trocar um conjunto de panelas no valor de R$ 200. Foi aí que os funcionários verificaram no sistema o cadastro feito pela dupla sete dias antes e nos acionaram”, disse o policial durante entrevista coletiva.
A polícia agora tenta descobrir há quanto tempo as mulheres agiam no Recife. Com elas foram encontrados vários cartões de crédito de lojas de roupa e até de bancos. “O problema poderia ser evitado se os funcionários desses estabelecimentos tomassem mais cuidado na hora de receber a documentação das pessoas. Isso porque muitas falsificações são grosseiras e de fácil percepção. Mas como muitas vezes os vendedores só estão interessadas em baterem metas, acabam nem olhando a documentação e liberam o crédito”, disse Marcelo Guerra. A dupla foi autuada por uso de documento falso e encaminhada a Colônia Penal Feminina do Recife, no Engenho do Meio.
Documentos
O delegado titular da Delegacia de Estelionato, Rômulo Ayres, falou ainda sobre a fragilidade dos documentos de identidades utilizados no Brasil. “Existem estudos em andamento para que essa documentação se torne mais segura. Hoje, os criminosos encontram facilidade para conseguir as falsificações e até a retirada de novas certidões de nascimento, sobretudo nos cartórios de Alagoas”, explicou. No caso de Iracema e Viviane, foi colada uma fotografia em um RG. “Se houve atenção, a fraude seria facilmente revelada”, disse Ayres