A posição- de repúdio- das entidades em Maceió sobre a decisão da Prefeitura em não patrocinar as prévias carnavalescas por causa da crise financeira merece uma análise cuidadosa.
Quem repudia? A classe média.
E quem é esta classe média? São puladores que decidiram, no correr dos anos, desidratar o carnaval em Maceió e resumir estas festas nas prévias.
Prévias significam algo que antecede.
Como podemos ter prévias de carnaval se- logo depois- não temos carnaval?
Por que isso existe?
Porque a classe média daqui decidiu migrar- no carnaval- para Olinda, Salvador ou a Barra de São Miguel, onde estão os ricos e famosos.
Nada de sentimento de alagoaneidade.
A classe média não se junta a ralé que vai de casa em casa nos bairros do Poço ou Ponta da Terra para financiar os bois de carnaval- essa sim, verdadeira manifestação popular.
Também repudia os pequenos blocos nas periferias onde o povo responde a uma cultura inventada pelo mercado, sobre Maceió ser local de repouso a turistas cansados de barulho.
Cultura inventada pela classe média local, seus representantes políticos e um pré-carnaval onde as madames desfilam seus fantasias nas praias da orla.
Carnaval virou negócio.
Empresas que investem milhares de reais em Pernambuco ou na Bahia não vêm a Alagoas para terem prejuízo.
No nosso vizinho Pernambuco, é hábito da imprensa local monitorar quais políticos da terra saem do Estado em busca de outras festas.
Em São Paulo, no desfile das escolas de samba, a presença do governador ou do prefeito da capital paulista é um dever de ofício.
Porque o maior representante político da própria terra prestigia um evento onde milhões- em dinheiro e pessoas- estão envolvidos.
Não bancar as prévias com verba pública mostra que a gestão Vinícius Palmeira- na Cultura- quer sacudir a passarela.
Se queremos prévias, temos que ter carnaval.
E o tal repúdio nos jornais dos nossos puladores é conversa mole de quem não abre mão dos privilégios.
Que o nosso povo nas periferias insista em resgatar os carnavais.
E a classe média siga a própria história: racista e anti alagoana.