Pressão jurídica sobre Bolsonaro afeta cenário político para 2026

Brasília (DF), 18/10/2023, O ex-presidente Jair Bolsonaro, fala com jornalistas, na sede da Polícia Federal em Brasília. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Nesta quarta-feira (26/03), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu tornar réu o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sete de seus aliados.

Esta decisão é um desdobramento de uma denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que acusa Bolsonaro e seu grupo de crimes graves, incluindo tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

Além disso, Bolsonaro já é considerado inelegível por uma decisão anterior do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A nova fase do processo judicial aumenta a pressão sobre os apoiadores de Bolsonaro, que tentam articular um cenário favorável à direita para as eleições presidenciais de 2026.

O ex-presidente, apesar de manter publicamente a intenção de se candidatar, tem apostado nos bastidores na candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) para a disputa ao Palácio do Planalto. No entanto, o cenário político da direita está fragmentado, com diferentes nomes surgindo como potenciais candidatos, mas sem um consenso claro.

Entre os nomes mais mencionados estão o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que afirma ser candidato à reeleição, e os governadores de Minas Gerais e Goiás, Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (União), respectivamente.

A dificuldade em unificar a direita pode complicar a estratégia eleitoral do grupo, especialmente considerando que alguns aliados de Bolsonaro veem uma possível reversão da inelegibilidade como uma saída, enquanto outros acreditam que uma condenação poderia, paradoxalmente, aumentar seu poder de transferência de votos.

O julgamento, que agora segue com a oitiva de testemunhas e defesas, poderá ter implicações significativas. Se Bolsonaro for condenado, ele não será preso imediatamente, pois terá o direito de recorrer da decisão.

A posição de Bolsonaro como candidato à presidência é contestada, e enquanto alguns, como o senador Marcos Rogério (PL-RO), defendem sua inocência e importância política, outros, como o deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA), enfatizam que a situação jurídica do ex-presidente se torna mais complicada.

A divisão na direita é evidente devido a dificuldade em encontrar um candidato que una os diferentes setores do eleitorado de direita, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se posiciona como um possível candidato à reeleição, dependendo de seu estado de saúde.

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