Não demorou muito e os prefeitos de cidades de Alagoas que decretaram situação de emergência- sob a justificativa de calamidade nas contas públicas- resolveram abrir a torneira e contratar, sem licitação e nenhum controle, empresas de turismo e transporte, locação de carros e até estrutura para festas de carnaval.
É o caso da Prefeitura de Murici, de Remi Calheiros (PMDB). Após gastar quase R$ 1 milhão para a compra de combustíveis, alegando situação emergencial dois anos após as chuvas que destruíram parte da cidade, Remi assinou a contratação das empresas Fórmula 3 Eventos Ltda e Érica Barbosa de Melo Vilalobos Produções para a festa da padroeira de Murici.
Nestes dois contratos, gastou R$ 195 mil. Sem licitação.
Remi gastou ainda com o carnaval. Contratou dois trios elétricos, um carro de apoio, mais bandas musicais. Tudo por R$ 295 mil.
E para mostrar que Murici enfrenta a sua pior fase financeira, no mesmo dia 8 de fevereiro em que contratou e pagou por festas na cidade, o prefeito contratou empresas de locação de veículos (sempre destacando o caráter emergencial) por mais de meio milhão de reais: exatos R$ 537.609, divididos em cinco contratos, que variam de R$ 24.300 a R$ 141 mil.
Japaratinga
Outra cidade que decretou emergência- só que alegando falência das contas públicas- foi Japaratinga. O prefeito Newberto Neves (PRP) alegou ter encontrado, após a posse, veículos sem motores, ônibus que sumiu, prédios sem energia elétrica, água e salários atrasados.
É bem diferente da vida real. Ele gastou R$ 36 mil para a festa da padroeira, sem licitação. Tentou ser convincente na gastança: “considerando que se trata de profissionais do setor artístico, consagrados por crítica especializada e pela opinião pública”.
O prefeito estreante de Piranhas, Dante Alighieri, que também decretou situação de emergência por faltar documentos ou dinheiro na Prefeitura, abriu os cofres: mais de meio mihão de reais para a mesma empresa contratada pelo prefeito de Murici, Remi Calheiros- sem licitação- promover o carnaval da cidade: Erica Barbosa Produções. Foram exatos R$ 550 mil. Usou a mesma estratégia de Remi Calheiros: nada de licitação para o serviço.