Prefeito de Mossoró é alvo de operação contra desvios na Saúde

A manhã desta terça-feira (27) começou agitada em Mossoró, no Rio Grande do Norte. O prefeito Allyson Bezerra (União) foi surpreendido por uma equipe da Polícia Federal (PF) em sua residência, alvo de um mandado de busca e apreensão.

A ação faz parte de uma força-tarefa conjunta com a Controladoria-Geral da União (CGU) para desarticular um esquema criminoso especializado em desvios de recursos públicos e fraudes em licitações.

Ao todo, a Justiça autorizou o cumprimento de 35 mandados de busca e apreensão no estado, além de medidas cautelares e patrimoniais. O foco das investigações recai sobre contratos de fornecimento de insumos para a rede pública de saúde.

Segundo a PF, auditorias identificaram um rastro de irregularidades envolvendo empresas potiguares que operavam em diversos estados.

Entre as falhas apontadas estão o sobrepreço de produtos, fornecimento inadequado e indícios graves de materiais que foram pagos, mas nunca entregues aos hospitais e postos de saúde.

Os envolvidos na operação podem responder por crimes que vão desde a fraude em contratações administrativas até o desvio direto de verbas públicas.

Até o momento, a PF não confirmou se materiais ou valores foram apreendidos na casa do prefeito.

O que diz a defesa

Em nota enviada à reportagem, a defesa de Allyson Bezerra, representada pelos advogados Caio Victor Barbosa e Fabrízio Feliciano, negou qualquer envolvimento pessoal do prefeito no esquema.

Segundo os advogados, a medida judicial foi baseada em “diálogos envolvendo terceiras pessoas” e não aponta condutas diretas de Bezerra. Eles reforçaram que o prefeito não foi afastado do cargo nem sofreu restrições de liberdade, mantendo sua agenda oficial normalmente.

A nota destaca ainda que a atual gestão já vinha adotando medidas de controle, citando um decreto de dezembro de 2023 que tornou obrigatório o uso do sistema nacional “Hórus” para fiscalizar o estoque de medicamentos.

“O prefeito colaborou integralmente com a diligência, convicto de que a apuração demonstrará a correção de sua conduta”, afirmou a defesa, que aposta na presunção de inocência para desvios que, segundo eles, envolvem contratos firmados entre empresas e diversos municípios, sem relação direta com a atuação pessoal do chefe do Executivo de Mossoró.

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