Pode rugir esse mundo
E de um abismo profundo
Ouvir-se um calado pranto…
No rosto da compaixão
Tenho em Ti um coração
Um abrigo, um acalanto.
Podem se abrirem os mares
Em óleos, cinzas e azares
E o verde sangrar em vão…
Sempre me és a esperança
Que de sombrinha ainda dança,
Como nos diz a canção.
Podem as almas perdidas
Vagarem cegas, fendidas,
Sonâmbulas de exaustão…
Nelas também Tu estás
E já anuncias a paz
Que um dia proclamarão…
Não há mal que nunca acabe,
Todo o bem em tudo cabe.
E se desdobra a visão
De um horizonte rasgado
De um mundo recuperado
Florido em sagrado chão.
Depende de todos nós
Unidos numa só voz
Alçarmos essa ascensão…
Mas por que estás bem aí,
No além, no aquém e no aqui
Nada terá sido em vão.
Podemos moldar a vida
Olhar a estrela escondida
No largo da imensidão …
Mas não podemos negar
Que nesse infinito lar
Mora um Ser de mansidão!
Podemos trair a vida
Mostrar a face cindida
Em ódio, treva, extinção…
Mas todos os eus profundos
Trazem teus germes fecundos
De amor e de redenção.
Ó, Mãe e Pai, Deusa e Deus!
Acolhe esses versos meus
E fala-me ao coração…
Sussurra-me o que dizer
O que cantar e fazer
E semear comunhão!
Dora Incontri





