Elizabeth Bishop terá sido o melhor perfil para acomodar uma homenagem na Festa Literária Internacional de Paraty -FLIP em tempos bolsonarianos?
Certamente. Afinal Bishop reúne o que a maioria dos medianos culturalescos e bolsomínions brasileiros adoram: americana, antipática aos movimentos políticos de perfil coletivo (via o fantasma do comunismo) e ao mesmo tempo, simpática ao golpe militar de 64.
Este kit de retrocesso perfumado pelo excesso de uma arrogância preservada em cartas escritas pela escritora, conseguiu mostrar que tem força suficiente para minimizar o impacto da lesbianidade, aos olhos conservadores dos “cults” da atualidade.
A escolha da primeira estrangeira como homenageada pela FLIP terá coincidido com o obscurantismo de 2019 com vistas a 2020?
Camadas de leitores e intelectuais brasileiros contrários a golpes, ditaduras e censuras de todas as modalidades, reagem nas redes sociais e sugerem boicotar a FLIP 2020, como reação política.
Nada mais legítimo! Afinal, a verdadeira cultura não prescinde do caráter político de um evento literário de qualquer porte, imagina um internacional!
É hora de homenagear a liberdade, a resistência e a representatividade dessa força nas artes literárias!
