Tanto JHC quanto Rodrigo Cunha, apesar de atuarem em dobradinha desde que assumiram a gestão municipal há dois anos, possuem estilos completamente diferentes. A começar pelo trato com a imprensa.
Jota desenvolveu um jeito de governar excluindo a presença da imprensa de eventos oficiais, até em inaugurações. Sua confiança absoluta é em postagens nas redes sociais, onde acumula popularidade inquestionável: apenas no Instagram, 799 mil seguidores.
Era também pensando nas redes sociais que o prefeito, ao contratar bandas ou shows, subia ao palco ao lado de famosos, sempre com maior visibilidade que ele nas redes.
Único prefeito do PL a gerir uma capital nordestina, JHC evitou, nas redes, tratar de política ou de políticos. Vereadores da bancada quase sempre não eram avisados de eventos oficiais, muitas vezes descobriam através da imprensa dia, hora e local de determinada visita a uma obra ou reunião.
Também o trato com os vereadores era considerado mais frio. Quase sempre o secretário de Governo Junior Leão era chamado para mediar conflitos ou conversar com os vereadores. Era tratado como o substituto do prefeito.
JHC renunciou neste sábado, 4 de abril, ao mandato de prefeito. Tinha ainda mais dois anos à frente da gestão municipal. A expectativa é que ele dispute o Governo mas suas maiores chances são ao Senado.
Nos últimos dias, houve turbulência no meio político que o prefeito pouco gostou ou quase nunca fez questão de encarar. Foi expulso do PL em uma manobra de Arthur Lira, se filiou ao PSDB sob a promessa de ter dois cargos na Executiva Nacional e disputar o Senado, levou a família para a legenda e conseguiu atrair nomes liristas como João Catunda e Thiago Prado para seu grupo político.
Fora da Prefeitura e sem mandato, Jota tem apenas a palavra de confiança de Rodrigo Cunha como continuador da gestão e, lógico, candidato à reeleição daqui a dois anos.
É quando o prefeito também espera estar eleito.
