O que parecia um balde de água fria na Sapucaí pode ter virado um trunfo estratégico nos bastidores de Brasília. Segundo a jornalista Milena Teixeira, do portal Metrópoles, integrantes da cúpula do PT começam a enxergar um “lado positivo” no rebaixamento da Acadêmicos de Niterói para a Série Ouro.
Embora a queda da escola que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha gerado frustração imediata, aliados avaliam que o resultado técnico serve como um “antídoto” prático contra as acusações da oposição.
A lógica nos corredores do partido é simples: o descenso da agremiação enfraquece a narrativa de que Lula teria obtido qualquer tipo de “vantagem eleitoral” ou privilégio institucional por ser o tema do enredo.
Para os petistas, se houvesse uma orquestração política ou uso indevido da máquina para favorecer a imagem do presidente, o desfecho na apuração dificilmente teria sido a lanterna da tabela.
Esse revés, portanto, funcionaria como uma prova de que o desfile foi uma manifestação cultural independente e sujeita aos rigorosos critérios do Carnaval, sem interferências externas.
Mesmo com a ofensiva da oposição, que acusa o governo de propaganda antecipada, o entorno do presidente minimiza os danos. A aposta é de que o episódio é volátil e não terá fôlego para chegar às urnas nas eleições de outubro.
Para os aliados, o Carnaval é um evento de memória curta no cenário político e o foco do eleitorado estará em temas econômicos e sociais quando a disputa pela reeleição começar de fato.
Ainda assim, o Palácio do Planalto não baixou a guarda totalmente. Diante da repercussão negativa e do barulho jurídico, a ordem interna foi de cautela.
Ministros e membros da comitiva que acompanharam Lula durante o desfile receberam orientações específicas para evitar declarações que possam alimentar novos processos no TSE.
O objetivo agora é deixar a polêmica na avenida e focar na agenda oficial, usando o próprio rebaixamento como escudo contra as teses de “abuso de poder”.
