O que mais importa na entrevista do prefeito de Maceió JHC, ao falar sobre seu futuro no PL, é o não-dito: Jota fez defesa da democracia, do equilíbrio de relações na política, do diálogo saudável. E emendou que vai ficar no partido.
Mas o PL, a vitrine de Jair Bolsonaro, é alvo de acusação de tramar um golpe de Estado, assim como Bolsonaro, indiciado pela Polícia Federal. Como permanecer em uma legenda que desdiz tudo aquilo que JHC disse pouco antes de ser diplomado prefeito?
Eis a questão e a escolha que JHC fará num futuro talvez nem tão distante assim.
A foto de Lula com JHC, estampada no Estadão e na Gazeta de Alagoas durante a semana, não foi feita nem por acaso nem sem autorização de ambos. Jota estava em Brasília e foi ao encontro de Lula. Para bom entendedor, a imagem vale mil palavras.
Deixar o PL agora, sem garantia de emplacar a tia Marluce Caldas no STJ, talvez não seja uma boa estratégia. Como talvez não é uma boa estratégia deixar um partido no meio da eleição para a presidência da Câmara de Vereadores muito menos no final do ano quando Brasília assiste ao papai noel cruzando os céus.
Seja como for: JHC ganhou um presentaço em 2024. Não foi a reeleição- favas contadas- nem a maioria no legislativo municipal – também coisa manjada. Mas sim ter uma moeda poderosa para oferecer a Lula, que cobrará o preço considerado justo neste grande mercado que é a política.
Não estamos falando de amigos, mas de interesses. JHC tem o que Lula quer. E o prefeito de Maceió sabe disso.
