Dirceu Lindoso se foi, e muitos alagoanos não saberão sobre sua imensa colaboração ao pensamento contemporâneo, também não saberão identificar as raízes que reúnem e unem nossas histórias, nossas vidas. Porque sua sapiência e comprometimento com a escrita social não se rendeu ao coro da mediocridade que Alagoas costuma aplaudir.
Particularmente, sou grata à vida por ter lhe conhecido em matéria, ter reverenciado sua presença e ter um pouco do seu livro Póvoa-Mundo em meu próprio mundo.
Sua fala praieira me fez viajar pelo litoral norte que nos gerou em tempos distintos, sem modificar quase nada da herança escravagista, colonial, patriarcal, que sufoca sonhos e luta pelo adestramento da intelectualidade.
Salve, Dirceu! Salve sua escrita pontual que me inspira profundamente nas páginas tortas que ouso materializar neste fosso de silenciamento, ávido para enterrar quem pensa.
Mesmo distante de sua grandeza, saberei derramar seu nome neste pó de estrelas que acordam machucadas à beira-mar.
Alagoas continuará linda, resistindo a todas as lambidas dos cães vadios que ocuparam os postos de determinações de destinos, e tu, Dirceu não poderás ser arrancado dela, nunca mais te apartarão das linhas que ligam Maragogi ao mundo, e o mundo à eternidade.
Salve, Dirceu! Por aqui se ama, por aqui se dói.





