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Poesia para Maceió

Um povo precisa separar

pelo menos um dia no ano

para beijar o chão

onde pisa.

Guardada por uma senhora de luz

que evoca os Prazeres da Alma

nosso chão de areia

é mar, é Maceió.

Não importa o credo

ou mesmo o descrédito

que a pessoa cultive.

Sem proteção divina

ninguém vive.

Mesmo quando o chão afunda

em desumana cobiça,

parte capitalista

que manda e desmanda.

O manto de rainha

rasteja na lama da lagoa,

fazendo brotar sururu

no abandono,

como súdito dos organismos empobrecidos.

É Nossa Senhora

banida das altas rodas,

pelo prazer de fazer viver.

Terra de poetas e cantorias vestidas de azul e vermelho.

Maceió no espelho

reflete a maquiagem poluída

da especulação imobiliária.

Povo jogado para cima,

aluguéis pendurados no topo,

cidade sem morros

chora nas depressões sociais urbanas.

Mas ainda tem ares de dama.

Demasiado bonita

para ceder aos destruidores

sem rumores

de resistência.

Filha de Nossa Senhora dos Prazeres,

a Maceió que sacode

a poeira dos maus tratos

é também ninho de garças

e tem poesia de graça

na largura de suas praças.

Salve a dama que sonha

uma salvação vermelha

no azul de cada dia.

Salve a santa que nos olha

com piedade e agonia

nos acordes de sotaque bronzeado,

que no sino

ainda retine.

 

 

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