Trabalhar com mulheres me ensina sobre mim. Para crescer em entendimento não devemos esperar regras seguras, núcleos fofos, e se existir alguma margem menos arriscada neste jogo da vida social é não gerar expectativas, mas se acaso ocorrer, convém não alimentar demais, para que a fragilidade da posição imatura possa ser levada pelas circunstâncias sem fincar raiz profunda em nossos corações, a casa simbólica dos sentimentos.
Sou um tanto fissurada em estudo. Dada a leituras que parecem chatas, aprendiz de gozo intelectivo e entusiasta do pensamento complexo e reelaborado sobre evidências e ocultismos. Por isso não caio fácil em armadilhas narradas pelo momento.
Conheço linhas e limites, e o desafio de conviver com modismos político/culturais é uma das tarefas mais cansativas desta história. Em nome das relações possíveis seguimos tentando, mas tem sido preciso evitar alguns entroncamentos que sugerem silenciamentos e cancelamentos.
Mulheres, não somos categorias híbridas. Por mais que se redesenhem atalhos, o patriarcado esconde o pescoço mas deixa o corpo agressivo de fora. Quer proibir mulher de falar sobre si, de partes dos nossos corpos, das dores que a biologia movimenta entre hormônios e humores, alterando nossas rotinas.
No entanto, nada tem sido mais bonito do que rezar nossas desventuras em tom alto, escrevendo em gêneros diversificados, o canto que nos dói lembrar, a alcova da inteligência que sabe amassar mais que folhas e extrair mais que perfume; mulheres politizadas em salvar amanhãs desde agora, sempre pensando no que alimenta a alma, vamos nos tornando senhoras.
Senhoras de si. Senhoras dos próprios pensamentos.
Nada muito retilíneo.
Mas incrivelmente potente!
Trabalhar com mulheres permite olhar no espelho e enxergar uma história imensa de perdas e adiamentos, entrelaçando gerações. Como mulher, morro e entro em luto. Na manhã seguinte levanto cedo para fazer o café e desmontar o modelo violento de mundo com o amor que gero em pão e poesia.





