Exércitos digitais buscam convencer o brasileiro a desvalorizar as universidades. São nelas que estudantes defecam na grama ou consomem drogas, transformando salas de aulas em pontos de tráfico.
E traficantes- assim como os estudantes universitários- não são gente. São CPFs a mais que atrapalham a economia, precisam virar areia de cemitério. Seres descartáveis, porém, antes, desumanizados por estes exércitos que, por estranha coincidência, pensam da mesma maneira que o presidente da República.
Wilson Witzel (PSC) é governador do Rio. Ex-juiz federal. Sob o comando dele, a polícia ganhou autorização para matar. Esta semana, foram 8 CPFs a menos no Complexo da Maré, zona Norte do Rio. Em fevereiro, uma operação da polícia em 2 comunidades terminou em 15 CPFs a menos.
A coincidência destas operações é que elas acontecem em lugares pobres, onde o senso comum diz- mesmo sendo mentira- que é onde o crime se esconde.
Nesta semana, 18 universidades foram ameaçadas de ataques, segundo investigações da Polícia Federal. Um certo “Sanctvus” dizia que iria “abater o maior número de aidéticos, vagabundas e pretos”.
São os CPFs a mais que tiravam vagas da gente de bens.
E os exércitos digitais ganham mais fôlego com Jair Bolsonaro, que estimula os turistas estrangeiros a usarem as mulheres brasileiras como objetos sexuais. Já assistimos a isso antes quando a Igreja, na colonização do Brasil, descomprimia a consciência dos cristãos ao dizerem que os negros e negras não tinham alma. Portanto, poderiam ser escravizados ou abusados em nome do mercantilismo.
Esta semana, o braço armado destes grupos que se espalham pela internet ganhou mais legitimidade para matar. Bolsonaro assinou decreto mudando regras para o uso de armas por atiradores. É mais um passo para se rasgar o Estatuto do Desarmamento no país em que as estatísticas- e não os disparos pelo Whatsapp dizem ser líder mundial em assassinatos. Sem estarmos em guerra.
Não estamos?
De ser cordial, o brasileiro vai sendo convencido de que o vizinho vale pouco. Portanto, pode ser abatido. É como nas igrejas caça-níqueis onde os pastores mostram a vitória de Davi sobre os filisteus. Quem eram os filisteus? Não importa.
Os inimigos servem mesmo para serem destruídos.





