Entre os destaques está a redução da extrema pobreza, que caiu 2,48% da população em 2014, um índice 63% menor que em 2004. Entre 2013 e 2014, a taxa de pobreza extrema caiu 29,8%, uma redução importante cujas causas estão associadas à permanência do aumento da renda e redução das desigualdades. São consideradas extremamente pobres as pessoas com renda mensal de até R$77, linha oficial do Bolsa Família fixada com base na referência das Nações Unidas para os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio – e também válida para os novos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.
De acordo com a Pnad, de 2004 para 2014, o crescimento do rendimento médio real ficou abaixo de 1% em 2014 pela primeira vez no intervalo considerado. Em 2006, foi superior a 7% e próximo de 6% em 2012. O crescimento do rendimento médio mensal real domiciliar per capita no Brasil passou de R$ 1.192,53 em 2004 para R$ 1.720,41 em 2014.
Segundo o IBGE, o Índice de Gini, que mede a desigualdade, apresenta trajetória decrescente no Brasil desde 2004 e passou de 0,570, em 2014, para 0,515, em 2014 (quanto menor, menos desigual o país).
Família
A PNAD constatou que os arranjos familiares estão mais diversificados. Os domicílios tradicionais ocupados por um casal e filhos diminuíram 10 p.p. em dez anos, de 54,8% para 44,8%, cedendo espaço para os domicílios habitados por homens e mulheres sozinhos, casais sem filhos e lares chefiados exclusivamente pela mulher (monoparentais). Além disso, os novos arranjos familiares têm feito crescer a proporção de domicílios cujos parceiros não têm perspectiva de criar filhos, de 12,4% em 2004 para 20,2% em 2014. A pobreza também se reduziu independentemente do tipo de arranjo familiar, principalmente nos domicílios ocupados por mães com filhos, casal com filhos e pai com filhos.
Desemprego
A população desocupada no Brasil, que vinha apresentando tendência de queda até 2012, cresceu desde então, embora as taxas de crescimento sejam baixas. As mulheres negras são maioria entre a população desocupada com mais de 16 anos em 2014, seguidas de homens negros, mulheres brancas e homens brancos. Considerando-se a desocupação produzida entre 2013 e 2014, os grupos sociais mais atingidos foram, respectivamente, as mulheres negras (35,1%), homens negros (25,2%), mulheres brancas (20,5%) e homens brancos (19,06%).
No ano de 2004, o percentual de empregados com carteira assinada era de 31,2%, com pico em 2013, quando essa modalidade passou a ser a via de acesso ao trabalho para 40,4% da população ocupada com 16 anos ou mais de idade. Os dados da PNAD 2014 apontam, pela primeira vez em 10 anos, para a queda neste indicador, que ficou em 39,7%.
Homens e mulheres, brancos e negros tiveram aumento de suas taxas de participação no emprego com carteira assinada entre 2003 e 2013, com pequena queda no ano de 2014.
As diferenças entre homens e mulheres, brancos e negros mantiveram-se estáveis em toda a série histórica, motivo pelo qual se pode inferir que a trajetória recente de melhora qualitativa das relações de trabalho não foi capaz de alterar o cenário estrutural de desigualdades de gênero e raça. Entre as mulheres negras ocupadas com 16 anos ou mais de idade, em 2014, 31,3% estavam inseridas no mundo do trabalho através do emprego com carteira assinada. Esta taxa de participação é inferior ao percentual de homens brancos com carteira assinada dez anos atrás (38,3%).
Trabalho infantil
Segundo a PNAD, o trabalho infantil está majoritariamente distribuído na faixa de 10 a 14 anos (89,3% do total). No grupo rural de pessoas nessa idade, 43,6% foram classificados como trabalhador não-remunerado na unidade familiar, 37% na produção para autoconsumo e 8,7% como conta própria. São muito menos relevantes o contingente de empregados agrícolas em idade inferior a 14 anos (21,5 mil em 2014) e exercendo atividades não-agrícolas mesmo residindo no campo (52,6 mil).
Apesar do pequeno aumento no trabalho infantil rural de 2013 para 2014, o saldo dos últimos dez anos é muito positivo: a queda do trabalho infantil no campo (57%) foi muito superior ao decréscimo populacional da mesma faixa etária nos mesmos dez anos (16%). Na população atual de trabalho infantil, nota-se que não há impacto sobre a frequência escolar, mas preocupa os alunos que trabalham e estudam, pois eles tendem a estar mais defasados em relação aos alunos que somente estudam.