Plano de segurança não reduz crimes cruéis em Alagoas

Nem a implantação do plano Brasil Mais Seguro, para redução da violência, ajudou Alagoas a se livrar de crimes macabros ou com requintes de crueldade. Para o Governo, nos últimos doze anos o Estado mais violento do Brasil consegue, pela primeira, registrar queda nos índices de homicídio.

Números da Secretaria da Fazenda mostram um grande investimento no orçamento da segurança. Foram R$ 780 milhões (exatos R$ 780.048.796,18) até dezembro do ano passado. Apenas em policiamento, foram R$ 513,5 milhões (exatos R$ 513.575.200,76). No item “informação e inteligência”, até o final do ano passado, foram R$ 3,9 milhões (R$ 3.925.598,87).

Mesmo assim, um crime chocou os moradores na praia do Francês, na cidade de Marechal Deodoro, a 31 quilômetros de Maceió. O italiano Fabrizio Carlo Angelo Riccardi foi preso no último sábado, acusado de matar a esposa, Judite Fonseca, que é alagoana. Ela morreu asfixiada, com um pênis de borracha na garganta.

Para ele, foi um “acidente sexual”. Já a polícia acredita que Fabrizio é um criminoso. Na rua Enseada do Francês, onde o casal morava, vizinhos dizem que Fabrizio era um homem violento. Chegou a quebrar as pernas da esposa. Depois do crime, revoltados, os vizinhos depredaram a casa.

“O que um homem faz com a esposa na cama não se fala”, disse Fabrizio, ao justificar o crime.

“O que posso dizer é que tentei socorrê-la. Coloquei a mão na boca dela e retirei o pênis de borracha”, afirmou.

O laudo da perícia aponta que ela morreu engasgada.

Para o Ministério da Justiça, Alagoas está no topo do ranking dos mais violentos do país. O segundo menor estado brasileiro mata mais gente, por assassinato, que São Paulo e o Rio.

Mas, são os crimes macabros ou com requintes de crueldade que mais assustam a população, apesar da insistência do Governo em propagandas tentando implantar uma “cultura da paz”.

Em fevereiro deste ano, dez pessoas foram indiciadas pela morte de Franciellen da Rocha, de 18 anos. Ela foi torturada com pontas de cigarro, teve os cabelos cortados, levada a uma área isolada no bairro de Serraria, em Maceió e, em seguida, queimada viva, com gasolina. Ela estava grávida de dois meses.

Segundo as investigações, Franciellen foi assassinada pela melhor amiga, Vanessa Ingrid da Luz Souza, de 20 anos. Motivo do crime: Franciellen estava grávida do namorado de Vanessa. Segundo a polícia, ele é traficante. Por ciúmes, Vanessa também pode ter matado Amanda Celeste da Conceição, de 18 anos, em 2011, com nove tiros, todos no rosto.

“O plano Brasil Mais Seguro não efetivou um trabalho que fizesse efeito na mentalidade no dia a dia, na realidade crua de Alagoas. Tornou-se um foguete, estes rojões lindos, cheios de cores. Um rojão político. Muito bonito, mas com pouca materialização. Por este plano, alguns se projetam politicamente. O povo não sente os efeitos. E não há uma sociedade instigada a mudar”, disse a cientista social Ana Cláudia Laurindo, co-autora do livro “Bastidores da Violência e dos Violentos em Alagoas”.

Até na Assembleia Legislativa, que tem deputados acusados em assassinatos, a reclamação é geral. Líder da “bancada da bala”, João Beltrão (PRTB)- que responde por cinco assassinatos em Alagoas e no Tocantins- diz temer andar pelas ruas:

– A violência é tão grande que pensamos estar em outro país, disse.

Nesta sexta-feira (26), o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, vem a Alagoas pela terceira vez, após a implantação do plano Brasil Mais Seguro, um piloto de um plano contra a violência no país.

O Brasil Mais Seguro completa 10 meses esta semana.

Segundo o Governo, os homicídios caíam 23,03% desde a implantação do plano. Em dez meses, 1.379 pessoas foram assassinadas em Alagoas. No mesmo período, sem o plano, foram 1.565. 186 mortes a menos.

“Estamos apertando ainda mais o cerco contra a criminalidade. No ano passado, prendemos 85 assaltantes de banco, o que representa 400% a mais que em 2011. Passamos de 1,9 mil inquéritos concluídos no último trimestre de 2012 para 2,6 mil nos últimos três meses. Em fevereiro, a média de homicídios esclarecidos foi de 82%”, explicou o delegado Geral da Polícia Civil, Paulo Cerqueira.

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