Diogo Alcântara – Terra
O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, negou nesta segunda-feira que o Brasil tenha pressionado os países do Mercosul para forçar a entrada da Venezuela como membro permanente no bloco. Em entrevista à rádio El Espectador, o chanceler Uruguaio, Luis Almagro, disse que “nada é definitivo” e que não “foi dada a última palavra” sobre o processo. Segundo Almagro, a intervenção da presidente Dilma Rousseff foi “decisiva” para a entrada da Venezuela.
“Nós não fizemos pressão sobre nenhum país, até porque esse não é o estilo da presidenta Dilma Rousseff fazer. A decisão que foi tomada pelos três presidentes, tendo ouvido evidentemente suas chancelarias, foi uma decisão unânime e que refletiu um consenso político. Portanto, não corresponde a tese de que nós teríamos feito algum tipo de pressão sobre qualquer governo”, disse Marco Aurélio, que reiterou que “a posição que o Brasil levou na Argentina para a reunião do Mercosul (sobre a entrada da Venezuela) foi fortemente amparada por critérios jurídicos”.
A aprovação do país comandado por Hugo Chávez se deu após a suspensão do Paraguai da união aduaneira. O parlamento paraguaio era o único que não havia dado o aval para a entrada venezuelana no bloco. Como o país ficará de fora das negociações até as eleições presidenciais em abril de 2013, Brasil, Argentina e Uruguai tomaram a decisão, em nível presidencial, de atender à aspiração de Caracas.
As declarações de Almagro surpreenderam o Palácio do Planalto e coube ao próprio Marco Aurélio telefonar pessoalmente ao presidente Uruguaio, José Mujica, para averiguar a história. Almagro levantou suspeita em entrevista à rádio sobre a data marcada para o ingresso da Venezuela, dia 31 de julho. Segundo o chanceler uruguaio, “se todo mundo tivesse tido certeza, a Venezuela teria entrado na sexta-feira em Mendoza. Por alguma razão os países definiram o prazo até 31 de julho”.
“A decisão de incluir a Venezuela a partir do dia 31 de julho foi proposta pelo presidente Mujica. Eu conversei com ele, há pouco, e ele confirmou, não só isso, mas que essa será a posição do Uruguai. Então eu queria deixar claro isso, não houve de nossa parte nenhuma imposição, nenhuma pressão, isso não corresponde ao estilo da política externa brasileira e menos ainda da presidenta”, explicou o assessor especial.
Marco Aurélio Garcia informou que a Venezuela desistiu da sanção econômica que havia tomado unilateralmente contra o Paraguai de suspender o fornecimento de petróleo. Ele negou, no entanto, que o recuo de Chávez fosse condição para a entrada venezuelana no bloco. “Houve um acordo do presidente Chávez de manter o abastecimento de combustíveis para o Paraguai. Isso foi uma decisão do governo da Venezuela e nós apreciamos muito essa decisão”, disse o assessor especial, negando pressão da diplomacia brasileira a respeito.
Brasília estava disposta a suprir a demanda paraguaia de petróleo caso a Venezuela interrompesse o fornecimento. “O Brasil não criará nenhuma necessidade de ordem econômica. Se for necessário, completaremos (o envio de petróleo), mas não é o caso”, garantiu Marco Aurélio.








