PL Antifacção: Aliados de Bolsonaro avaliam mal a relatoria de Derrite

A escolha do deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) para a relatoria do PL Antifacção (Marco da Segurança Pública) está sendo vista como uma “cilada” por parlamentares da base bolsonarista. A informação é do jornalista Gustavo Uribe, da CNN Brasil.

A avaliação interna é que os sucessivos recuos do relator, que também é secretário de Segurança Pública de São Paulo, acabaram por colocar a oposição em uma posição de vulnerabilidade, limitando sua capacidade de crítica ao projeto.

A principal razão para o desconforto é que a última versão do texto retornou a ser quase integralmente a proposta original do governo petista.

No entanto, a presença de Derrite, uma figura proeminente da direita, na relatoria, é vista como um fator que “blinda” a proposta, dificultando a rejeição ou críticas contundentes por parte da própria oposição.

Aliados de Derrite argumentam que ele só deveria ter aceito a relatoria mediante um compromisso do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), de que teria o apoio necessário para promover alterações significativas.

O diagnóstico político é que, ao aceitar a relatoria e, posteriormente, recuar em pontos-chave, a direita acabou por chancelar uma proposta da esquerda em uma pauta — a segurança pública e o combate ao crime organizado — que tem potencial para ser central no debate eleitoral de 2026.

Sob pressão do Palácio do Planalto, Derrite retirou duas propostas que haviam sido incluídas em versões anteriores de seu relatório: a limitação da atuação da Polícia Federal e a classificação das facções criminosas como grupos terroristas.

Apesar desses recuos, a versão mais recente do texto ainda enfrenta questionamentos do governo federal, que manifestou preocupação com a possibilidade de um esvaziamento dos fundos federais e a potencial criminalização de movimentos sociais contida na redação.

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