No primeiro mandato de Lula presidente, observamos um fenômeno de enfraquecimento das organizações sociais a partir da cooptação de forças como mecanismo de contenção utilizado pelo próprio governo. Apesar da euforia, e das boas ações contabilizadas em uma história social feita de amplas desigualdades, no paralelo deste perfil de sucção da força revolucionária também tivemos o fortalecimento dos caciques locais, regionais, como política lulista; isso fez de exemplares carreiristas como Renan Calheiros e José Sarney, grandes referências mesmo estando ligados ao perfil predatório da política.
Na segunda experiência governamental de Lula, o mercado já ditava questões importantes e o perfil liberal tomou conta do cenário, sem muitas vozes coerentes que pudessem analisar criticamente o que estava sendo feito. A educação foi transformada em mercadoria como nunca antes, sob a maquiagem de democratização do conhecimento, o que se fez em grande escala foi transferir investimento para a iniciativa privada que passou a dominar o cenário do ensino superior no Brasil.
Lula três é o ápice do desmonte, mas está escondido sob o manto antifascista, e já arrasta a ausência de crítica lúcida pelos caminhos das redes sociais transformando militantes em reprodutores de jargões.
Não será normalizando o silenciamento do pensamento que faremos qualquer tipo de luta antifascista ou antibolsonarista, ou contra o avanço da extrema direita; tudo isso é folga criada pelo propaganda governamental na era em que Lula empodera Arthur Lira, o detentor das decisões de peso no país.
Enquanto o militante acredita que reproduzindo as propagandas sem avaliar as ações do governo está fechando o acesso da direita ao poder, Lula transfere cada vez mais poder para Lira, que por sua vez, somente apoiou prefeitos bolsonaristas em Alagoas e loteou com as emendas o território eleitoreiro mais antiesquerda que possamos imaginar.
Lula mercadológico não é refém do centrão, é um negociador ativo com o centrão.
Votar em Lula não será para nós justificativa para coadunar com suas políticas de submissão aos poderes nefastos. O país precisa mostrar que tem vida e história, sem seguir regras de fã-clube.
Rastrear pix de cinco mil reais feito pelo cidadão comum, por quem destina emendas bilionárias a perder de vista, sabendo que o legislativo brasileiro está ocupando território de execução de políticas públicas fortalecendo direitistas e extrema direita na mais descarada arbitrariedade legal, deveria no mínimo nos causar indignação.
O governo trata a militância como incipiente no quesito cidadania. Mas corresponder a isto é questão de escolha. Por aqui, seguimos defensores da democracia e liberdade de expressão e por isso, somos críticos a inúmeras ações do presidente Lula.





