Uma das estratégias da defesa da Braskem será insistir que as causas do fenômeno geológico no bairro do Pinheiro não têm ligação com as atividades de mineração da empresa.
A Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) percebeu essa movimentação da Braskem. Técnicos da estatal sabem que a fábrica pretende associar a rede de água e esgoto ao afundamento do Pinheiro e tem farta documentação para provar o contrário. Esperam apenas a hora certa.
A fábrica repete que, se for responsabilizada pelo fenômeno geológico “assumirá sua responsabilidade com a sociedade alagoana, como tem feito ao longo de mais de 40 anos de atuação no Estado de Alagoas”, disse na página oficial da Prefeitura de Maceió.
E a Braskem contratou uma empresa, a Tecnopoços que” realizará as análises com a utilização de câmeras robotizadas, que possuem alta tecnologia para monitoramento interno de tubulações horizontais como galerias, redes de esgoto e drenagem”, segundo informa a Prefeitura.
A quem pertencerão estas informações coletadas nos subterrâneos de Maceió? À Braskem, que contratou a Tecnopoços, ou aos moradores do Pinheiro?
De acordo com a Prefeitura, as imagens produzidas por estas câmeras robotizadas serão enviadas “automaticamente para um computador e os relatórios diários auxiliarão a Seminfra na definição e realização dos serviços de reparo mais urgentes”.
Fica claro que a Braskem não reconhecerá automaticamente sua responsabilidade, mesmo após os resultados dos estudos levados adiante pelo Governo Federal.
E amealha provas para a longa batalha judicial em torno das indenizações aos moradores do Pinheiro e à criminalização ao meio ambiente- mesmo que estranhamente entidades ambientais alagoanas estejam num suspeitíssimo silêncio.
Os moradores dos bairros envolvidos nesta questão precisam estar atentos. Numa causa envolvendo tantos milhões ou bilhões de reais, cada passo deve ser acompanhado. Homens ou mulheres disfarçados de super-heróis, com soluções prontas, não devem ser levados a sério. Em especial num mundo onde gravitam lucros, ações na Bolsa e o mercado, um ser sem alma “nem sangue nas veias e nem coração”.






Uma resposta
Uma pergunta que não quer calar: quem vai se apropriar do território do Pinheiro, Mutange e Bebedouro após a retirada forçada dos moradores?
Como a área será utilizada? Qual atividade será desenvolvida naquela área? Quem se beneficiará com a retirada da população desses bairros?
Até aqui tudo nebuloso.
Muitos estudos e pouca informação divulgada.