Jairo Martins – superintendente-geral da Fundação Nacional da Qualidade- Terra
De uns tempos para cá, o tema “sustentabilidade” tem cada vez mais tomado conta da comunicação das empresas com o mercado. Mas, paralelamente, somos invadidos por inúmeras informações e atitudes incoerentes. De um lado, as organizações dizem se preocupar com ações sustentáveis. De outro, vemos o estímulo ao consumismo exagerado e o progresso do País sendo medido pelo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que soma a riqueza produzida por uma nação e não demonstra preocupação com o uso de recursos humanos e naturais. Essa divergência significa que vivemos em um atual modelo econômico insustentável e as ações socioambientais ainda não tomaram conta da agenda estratégica das empresas e dos países. Em resumo, estamos apenas propagando ações de uma “sustentabilidade cosmética”.
O rápido surgimento de novas tecnologias e o crescente aumento da produção revelam que as organizações, em sua maioria, continuam pensando apenas nas vantagens econômicas e não no tripé da sustentabilidade, que demanda empresas e instituições economicamente sólidas, socialmente corretas e ambientalmente responsáveis.
Uma das soluções para reverter esse cenário é a transição para um modelo econômico sustentável, que pode ser feita ao repensar o cálculo do PIB. É preciso entender a riqueza como uma combinação do capital físico, humano, social e natural. Esse modelo reduziria o risco de escassez ecológica e os danos ambientais e contabilizaria os custos que a atividade empresarial impõe à sociedade. O PIB, então, incluiria não somente as riquezas produzidas pelo País, mas também a gestão dos recursos naturais e humanos.
Diante desse contexto, as empresas terão de incluir práticas efetivas de sustentabilidade em toda a sua cadeia produtiva e no relacionamento com seus públicos. Mas, ao contrário do que muitas organizações tentam argumentar, praticar ações sustentáveis não significa aumentar o custo do produto, mesmo que sejam inclusas as despesas ambientais, tais como o impacto de despejar conteúdo químico na natureza e a reciclagem de materiais contidos na mercadoria fabricada. Simples atitudes podem contribuir com o meio ambiente e até tornar a empresa mais competitiva no mercado.
A transição para uma economia mais verde também vai levar as empresas a promover a inovação da gestão para a sustentabilidade. Além de fabricar os mesmos produtos sem poluir e substituir seus materiais por outros mais sustentáveis, a organização terá ainda de criar um ambiente propício ao surgimento de novas ideias em todas as áreas da companhia.
Mas quando as organizações vão parar de apenas pensar nos lucros e resultados e passar a atuar efetivamente em prol da sustentabilidade? Está na hora de sairmos dessa dicotomia e transformar os ideais em atitudes, criando um círculo virtuoso. Precisamos eliminar do atual modelo econômico esta fórmula anacrônica de medir o desenvolvimento, que considera o uso indiscriminado dos recursos naturais e humanos. Ou seja, precisamos nos livrar do “PIB da Era dos Excessos” e adotar uma nova fórmula que caracterize o “PIB da Era dos Limites”.
O primeiro passo nessa direção está em estabelecer essa nova forma de calcular o PIB, considerando as riquezas e a preocupação socioambiental. O segundo é incluir a inovação da gestão para a sustentabilidade no planejamento estratégico das empresas. Enquanto esse engajamento não fizer parte do cotidiano de todas as instituições – sejam públicas ou privadas -, continuaremos num ciclo econômico insustentável, comprometendo o futuro desta e da próxima geração.







