A sub-procuradora Geral da Republica, Lindôra Araújo, assumiu o monitoramento das investigações sobre o susposto atentado contra o juiz da 4a Vara Cível de Maceió, Marcelo Tadeu.
De Brasília, ela vai enviar ofício ao Tribunal de Justiça de Alagoas para que o caso possa voltar a ser investigado por autoridades policiais. Tadeu esteve em Brasília na quarta-feira.
O Conselho de Segurança do TJ deveria ter enviado o ofício à Procuradoria Geral da República, solicitando que o caso foi retomado. Mas, nas novas informações, aparecem um desembargador, o irmão dele e um empresário de Maceió.
A sub-procuradora é a mesma que determinou a que de sigilo das invesigações sobre a Operação Navalha, em que são citados governadores- entre eles Teotonio Vilela Filho (PSDB)- e o empresário Zuleido Veras.
Entenda
A Procuradoria Geral da República (PGR), em Brasilia, começou a investigar uma organização criminosa, em que é citado um desembargador do Tribunal de Justiça em Alagoas e um empresário, responsável por elaborar um plano para matar o juiz da 4a Vara Cível de Maceió, Marcelo Tadeu – considerado magistrado “linha dura” no Estado.
Segundo ofício do Ministério Público Federal, encaminhado a PGR, em 24 de fevereiro-ao que o Terra teve acesso – Marcelo Tadeu seria morto no dia 3 de julho de 2009 – uma sexta-feira – na avenida João Davino, em Maceió, uma das mais movimentadas da área nobre.
A arma, uma pistola ponto 40, de uso exclusivo da policia, foi retirada do 59o Batalhão de Infantaria Militar – a sede do Exército alagoano. Ela estava guardada junto a outras, em um paiol do Tribunal de Justiça – que ficava no Exército. Constava em processo como prova de outros assassinatos. O preço do crime: R$ 20 mil. Após o crime, a arma voltaria ao Exército. E, ficaria como até hoje está: escondida. Nunca foi feito exame de balística.
O plano não deu certo porque o funcionário da empresa Qualitec – que prestava serviço para o Grupo Empresarial OAS – o advogado mineiro Nudson Harley Mares de Freitas, há 15 dias em Maceió, foi morto no lugar do juiz. Ele estava vestido de calça jeans e camisa polo, mesma roupa que Marcelo Tadeu usava. E ambos, que não se conheciam, estavam a 50 metros de distância um do outro. O juiz Marcelo Tadeu estava com a família no estacionamento de uma farmácia, na avenida João Davino. Seguiria para casa, no bairro de Guaxuma, em Maceió.
Tadeu cancelou doze mil títulos eleitorais, durante sua permanência como juiz eleitoral no sertão, e acusou um vice prefeito de ter diploma falso. Marcelo Tadeu cassou o mandato do prefeito -irmão do desembargador que teria elaborado o plano de morte- e do vice. Eles recorreram ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e perderam. Reverteram a decisão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mas, por causa do tempo, o prefeito só ficou dois meses na Prefeitura.
“Como supostos interessados na sua morte, estariam usineiros que teriam perdido bens por força de decisões suas, além do aparente e surreal interesse de um membro do poder judiciário de Alagoas”, diz um trecho do documento encaminhado, pelo MPF de Alagoas, à Procuradoria da República, em Brasília.
“O Nudson morreu como bandido em Alagoas Inventaram histórias sem pé nem cabeça sobre ele. Disseram que ele tinha envolvimento com uma garota, namorada de traficante; depois, disseram que a versão não tinha nada a ver. Não tenho dúvidas: ele for morto por engano”, disse uma integrante da família do advogado, que mora em Minas Gerais. Ela pediu para não ser identificada.
“Não recebemos resposta de nada. Tentamos falar com o Ministério Público, que mantinha contato conosco. Todos fugiram. Sem oferecer respostas. A impressão que querem passar é de que não houve nada”, disse.






