A Polícia Federal sabe quem é quem no mundo do crime em Alagoas. São personagens com tentáculos no Legislativo, Judiciário e prefeituras.
Ao mesmo tempo, estão blindados por outros poderosos em Brasília, onde a impunidade não é barata e os advogados são muitos — principalmente os com mandato.
O crime organizado tem nome e sobrenome. Não é Silva nem Santos. Opera também em negócios ilegais, possui ramificações no narcotráfico, em cassinos clandestinos (hoje nem tanto, no mundo pós-bets), alguns hospitais privados e postos de combustíveis, empresas, e ainda estoca dinheiro em apartamentos na orla de Maceió.
Nos cofres das prefeituras, pratica o clássico desvio de dinheiro — uma estratégia tão manjada que o desfile de carros de luxo diante dos narizes de todos, inclusive promotores e juízes, é a reafirmação daquela frase: aos amigos, tudo.
A corrupção não é ideológica, tampouco um fenômeno exclusivo de algumas regiões do mundo.
Mas, em Alagoas, a concentração de renda e os supersalários de alguns funcionários públicos derrubam qualquer ideia de justiça social.
Por isso, a lógica indica que Alagoas é um estado rico. Deputados desviaram mais de um bilhão de reais, em valores atualizados, na Operação Taturana. Nunca foi devolvido um único centavo. E esse é apenas um exemplo.
Ontem (23/06/2025), ocorreu a posse da nova superintendente da PF em Alagoas, delegada Bruna Rizzato Barbosa. Ela promete balançar a antiga estrutura desse crime organizado que usa terno e gravata. Não será simples. Os federais têm as provas, mas todos nós sabemos onde estão os prefeitos, vereadores, policiais militares ou deputados presos nos últimos anos: livres e idolatrados.
São os nossos santos de pau oco. E intocáveis, abençoados por uma corte celestial — os céus do prestígio dos homens.
Que a PF alagoana vá além de um órgão cartorial que apenas carimba passaportes.





