PF liga irmão de procurador da BA a esquema no Banco Master

A Polícia Federal interceptou trocas de mensagens que colocam o empresário Marcelo Maia Souza Marques, irmão do procurador-geral de Justiça da Bahia, Pedro Maia Souza Marques, no centro de uma investigação sobre desvios no Rioprevidência.

De acordo com os relatórios da corporação, Marcelo mantinha contato direto com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para alinhar repasses financeiros à Mídias Promotora.

A empresa, registrada em nome de um intermediário, é apontada pelos investigadores como uma fachada controlada pelo lobista Ricardo Siqueira Rodrigues para distribuir propinas do esquema com aparência de legalidade.

Entre 2023 e 2025, a Receita Federal identificou que a Mídias Promotora recebeu R$ 126,6 milhões vindos do Banco Master.

Nas comunicações obtidas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro, o irmão do chefe do Ministério Público baiano foi registrado sob o codinome de “Marcelo Terra Firme”.

O apelido faz referência à Terra Firme, empresa de Augusto Lima, ex-sócio do Master e apontado pela PF como o responsável direto por direcionar os aportes do fundo de previdência fluminense para letras financeiras do banco.

Em maio de 2024, Vorcaro consultou o empresário sobre um repasse de “8 pau” para a Mídias Promotora, oportunidade na qual Marcelo confirmou os valores e afirmou ter validado a operação com outro operador do esquema.

O histórico de Marcelo Maia Souza Marques com o grupo financeiro investigado é antigo e envolve a operação do Credcesta, cartão consignado que surgiu após a privatização da estatal baiana Ebal.

O empresário foi o responsável por registrar os domínios de internet do serviço em nome do Banco Máxima, instituição que posteriormente se transformou no Banco Master.

Além disso, Marcelo é sócio de André Kruschewsky na empresa AMF Consultoria.

Kruschewsky é ex-diretor do Master e primo do ex-procurador-geral de Justiça da Bahia, Eugênio Kruschewsky; ambos já haviam sido alvos de uma CPMI no Congresso Nacional por suspeitas de fraudes envolvendo o INSS e o banco.

Até o momento, Marcelo Maia Souza Marques não se pronunciou sobre o teor das mensagens interceptadas e as suspeitas de que atuava no fluxo de dinheiro da organização.

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