PF indicia Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e Alexandre Ramagem; entenda

A Polícia Federal concluiu, nesta segunda-feira (17/6), o inquérito que investigava o funcionamento de uma estrutura clandestina de inteligência dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro. O relatório foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e resultou no indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, do ex-diretor da Abin e deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), e do vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ).

De acordo com a PF, os três são suspeitos de participarem de um esquema de espionagem política e institucional que funcionava à margem da estrutura oficial da Abin. A chamada “Abin paralela” teria sido usada para monitorar autoridades públicas, interferir em investigações da Polícia Federal e produzir relatórios favoráveis aos interesses da família Bolsonaro, especialmente no caso das “rachadinhas” que envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Estrutura clandestina e uso político

As apurações indicam que o esquema era comandado por Ramagem, à época diretor-geral da Abin, com apoio e conhecimento do então presidente Jair Bolsonaro e de seu filho Carlos. Entre os alvos do monitoramento ilegal estariam membros do Judiciário, do Ministério Público e da própria cúpula da PF.

A investigação também aponta que o grupo teria utilizado ferramentas de geolocalização e interceptação ilegal para alimentar um banco de dados com fins políticos e eleitorais. Relatórios elaborados por agentes da Abin teriam sido repassados a aliados do governo para influenciar o debate público e decisões jurídicas.

Desdobramentos

O inquérito integra a Operação Última Milha, com desdobramentos na fase chamada Vigilância Aproximada, iniciada ainda em 2023. Em janeiro de 2024, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Carlos Bolsonaro, o que revelou documentos e dispositivos eletrônicos relacionados ao caso.

Com a conclusão do relatório, caberá agora ao ministro do STF Alexandre de Moraes, que conduz o inquérito, decidir sobre o envio à Procuradoria-Geral da República (PGR). Se a PGR entender que há elementos suficientes, poderá apresentar denúncia formal, tornando os três investigados réus.

Impacto político

O indiciamento de Jair Bolsonaro se soma a outras frentes jurídicas enfrentadas pelo ex-presidente, que já responde a investigações por tentativa de golpe de Estado, uso indevido da estrutura do governo e falsificação de dados sobre vacinação.

Já Alexandre Ramagem, cotado à época como possível diretor-geral da PF, pode ter sua carreira política afetada em meio à crescente pressão por responsabilização de agentes públicos que atuaram durante o governo Bolsonaro. Carlos Bolsonaro, por sua vez, é apontado como um dos principais operadores da comunicação e dos sistemas de monitoramento ligados ao gabinete do ódio.

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