Os corredores do Palácio do Planalto e a sede do PT em Brasília amanheceram em estado de alerta máximo neste início de março.
Segundo a apuração de Igor Gadelha, do portal Metrópoles, o motivo é o mais recente tracking, as pesquisas de monitoramento contínuo contratadas pelo partido, concluído no último sábado (7/3).
Os dados trazem um diagnóstico agridoce para o presidente Lula: se por um lado o petista começa a ensaiar uma recuperação nas intenções de voto, por outro, um fantasma específico passou a assombrar a percepção popular com força total, superando até mesmo as dores de cabeça com a economia.
De acordo com o levantamento, a segurança pública disparou como uma das principais angústias dos brasileiros. Em uma escala de 0 a 100, o nível de preocupação com o setor atingiu a marca de 54,6%.
O índice é tão expressivo que só perde para a “corrupção”, que ainda lidera com 58,1%, mas que apresenta uma trajetória de queda consistente.
O dado que mais surpreendeu os estrategistas do governo, no entanto, foi o recuo da “economia e inflação” para o terceiro lugar, registrando apenas 19,4% na escala de preocupação.
O diagnóstico interno é claro: o brasileiro parou de olhar apenas para o preço da prateleira e passou a temer, prioritariamente, o que acontece nas ruas.
Apesar do sinal amarelo na gestão, o tracking trouxe o alento que o PT buscava para o tabuleiro de 2026.
Na simulação de intenção de voto, Lula aparece com 48,6%, numericamente à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que registra 46%.
Embora o cenário ainda configure um empate técnico dentro da margem de erro, a leitura das lideranças partidárias é de “tendência de alta”.
Para o núcleo duro do governo, o atual presidente finalmente começou a descolar da estagnação, iniciando um movimento de recuperação sobre o herdeiro político de Jair Bolsonaro.
O otimismo, contudo, é cauteloso e vem acompanhado de uma meta ambiciosa. Auxiliares diretos de Lula avaliam que o atual equilíbrio é perigoso e estabeleceram um “número de ouro”: abrir 10 pontos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro até junho de 2026.
Para chegar lá, a estratégia agora deve sofrer uma guinada. Com a economia dando sinais de estabilização na visão do eleitor, o governo entende que precisa entregar respostas rápidas e midiáticas na segurança pública para evitar que esse tema se torne a principal arma da oposição na campanha que se aproxima.
