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Pertença-se, por Aldenir de Moura

Hoje eu queria poder olhar pra trás e vibrar por todas as conquistas de tantas mulheres incríveis que lutaram, que enfrentaram o luto diário e lutaram por elas e por todas nós. Mas, exatamente hoje, estou exausta. Revoltada. Alma despedaçada. Hoje eu lutei. Hoje estou de luto.

É muito difícil ser mulher. Para todas nós.

É muito difícil saber que uma mulher que só queria ir pro trabalho foi morta por ser mulher. Por ser mulher! Por ser mulher! Dói muito. Muito mesmo. Uma dor horrorosa e inexplicável.

Hoje foi difícil escutar uma mulher, mãe, profissional caixa de supermercado, que estava em um dia péssimo, cansada e revoltada. Com olhos cansados e lagrimas querendo saltar desabafou e desabou… Religiosa, recém-separada, gerenciando abandono paternal, ex-marido recém-casado. Sem me conhecer pediu conselho que não pude dá. Tentei fazê-la refletir com calma. Foi doído demais perguntar a ela o que a religião ( dela) diz sobre a importância e prioridade do casamento atual e filho do divorcio. A resposta foi a cara de susto, como se trilhões de fichas despencassem. A lucidez, talvez, agora a faça percorrer caminhos conscientes e busque justiça e informação. Libertação.

O século é XXI, ano 2019. Dois mil e dezenove. E o maior representante do estado é sexista, misógino e racista. Homofóbico. Boçal.

É também muito difícil ver mulheres que não assumem ter idade suficiente de ter responsabilidade em falar o que não sabe quando deveria saber.

Dra. Rosângela Moro acumuladora de diplomas tão quanto desserviço, em tempos de ignorância, semeia ódio. A essa altura da vida a dra. sente orgulho em confundir feminismo, femismo e misandria.

Dra. Rosângela deve desculpas a feminista Nísia Floresta, nordestina do Rio Grande Norte, que em 1832 lutou e defendeu o direito da doutora ir para a universidade.

Dra. Rosângela deve desculpas a muitas que lutaram antes e de tantas outras que seguem com a luta.

Há pouco tempo tive com algumas mulheres, especialmente mães solo. Todas cansadas. Lutando, todo dia um luto na própria vida. Em estados depressivos e outras com depressão fazendo uso de remédio pra acordar e pra dormir. Sem vontade de viver.

Mulheres que sustentam a família. Que cuidam dos pais doentes. Enfrentando desemprego e a escassez. Mulheres que aguentam o desrespeito e questionamento sobre ter filho e a idade, por profissionais despreparados em entrevista de emprego. Sim, acreditem, existe. E muito!

Não tenho a pretensão de mudar o mundo. Quem sou eu pra tamanha pretensão, não é mesmo?

Sou uma mulher tolhida dia a dia por essa sociedade machista. E eu não posso me adaptar a uma sociedade que em diversos formatos escraviza pessoas. Onde muitos, por construção dessa sociedade perversa, sentem orgulho da servidão voluntária. Banalizam a maldade.

Onde homens e mulheres que conseguem pensar insistem em manter a síndrome da sinhá/sinhô. Onde profissional de saúde, religioso, tem a coragem de dizer que o holocausto na colônia de Barbacena é exagero da mídia. Onde homens coronéis da fé alheia se juntam pra enriquecer a si e os seus à custa de quem eles desprezam.

Não. Não consigo e não posso me adaptar a isso.

É, em um dia tão importante eu não consegui ver dias melhores.

Existe uma intolerância, ignorância e preguiça de se informar, homens e muitas mulheres, inclusive doutoras, ministra dos direitos humanos e família/mulher, a respeito do movimento feminista.

Quero compartilhar aqui e pedir com todo meu amor e história de vida, que compartilhe com aquela amiga, amigo, que não cansa de passar vergonha, para entender que:

Feminismo é um movimento social. Pede estudo. Pede trabalho, e muito.

É desconstrução. É construção.

É politica. É luta diária, inclusive, com o machismo impregnado dentro de cada uma de nós. Nascemos e convivemos com o patriarcado todos os dias, lembra?

Não salva ninguém, mas juntas de outras vocês mesma pode se libertar.

É você ter consciência de que pode ser feliz com o que faz sentido, para você, casada ou não. Colocar a mesa pro marido, ou não.

É saber que o seu corpo e a tua vida te pertence.

Te ensina a não negociar tua liberdade em detrimento a sentimento de pertencimento.

Pertença-SE 🙏

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