Falem sobre folia e sorrisos, mas não deixem que isso lhes faça esquecer a lógica inexorável de cada dia, com seus horários discorridos sobre a vida real.
Uma alegria leve não apaga consciências, mas instiga sentidos de irmandade para com aqueles que tiveram menos possibilidades de alegrar-se.
As páginas da política são manipuladas, as adesões que visam nosso curto dinheiro são manipuláveis. Prestar atenção nisso cabe em qualquer tempo, a toda hora, mesmo nas frenéticas.
Nós dançamos onde escolhem.
As ruas que fecham, as vielas que abrem, as valas onde jogam corpos vivos ou mortos; tudo está sob a decisão dos descarados sorridentes que atuam como gestores públicos.
Caminhos entre atalhos, observando o quanto nos fazem sofrer antes de consumar atos normalizados, sob a autorização institucional e o declínio da percepção coletiva.
Tudo o que me afasta dessa percepção recuso ou provo em goles astutos, fingindo ser, para penetrar nos terrenos naturalizados e assim compreender mecanismos de automatização, porque tudo o que se perde me convence sobre o não-valor da covardia.
Divirta seus sentidos e se quiser até afogue as mágoas nas taças dos sorrisos, mas sobreviva!
A história real, percebida ou não, é coletiva.
