Líder do Grupo C, a Seleção Brasileira entra em campo nesta quarta-feira (24) contra a Escócia dependendo apenas de uma vitória para avançar às oitavas de final na primeira colocação do grupo.
No entanto, o novo regulamento da competição traz uma rede de segurança inédita: mesmo em caso de derrota, o Brasil pode se classificar como um dos melhores terceiros colocados.
Esse cenário, embora garanta a vaga no mata-mata, representaria uma situação inédita na história do futebol brasileiro em Copas do Mundo, já que a seleção tradicionalmente avança na liderança de suas chaves.
Historicamente, o Brasil costuma dominar a fase de grupos, o que favorece inclusive a logística de deslocamento da delegação pelo país sede.
As raras exceções em que a Seleção não terminou na liderança aconteceram em 2010, na África do Sul, quando avançou em segundo lugar atrás de Portugal, e nos mundiais de 1974 e 1978, que ainda seguiam outros formatos de disputa.
Uma queda para a terceira posição nesta rodada só ocorrerá se o Brasil for derrotado pela Escócia e Marrocos vencer o Haiti, empurrando os marroquinos para a liderança com sete pontos e os escoceses para a vice-liderança com seis, deixando a Canarinho com quatro pontos.
A matemática favorável aos terceiros colocados deve-se à expansão do torneio.
Agora, além dos dois primeiros de cada chave, os oito melhores terceiros colocados também carimbam o passaporte para as oitavas de final.
Esse formato amplia as chances de sobrevivência das equipes e equilibra o campeonato, permitindo que seleções avancem mesmo com campanhas modestas, desde que superem os terceiros colocados dos demais grupos.
No momento, a briga por essas vagas extras está acirrada: das oito equipes que hoje estariam classificadas nessa condição, as cinco primeiras, Suécia, Escócia, Croácia, Argélia e Paraguai, somam exatamente os mesmos três pontos, com as posições definidas rigorosamente nos critérios de desempate, seguidas por Cabo Verde e Bélgica com dois pontos, e Chéquia com um.
Apesar de parecer uma grande novidade para a atual geração, classificar-se na terceira colocação e ainda assim brigar pelo título é um enredo conhecido na história das Copas.
Nos mundiais de 1986, 1990 e 1994, quando o torneio contava com 24 seleções, os quatro melhores terceiros avançavam. Exemplos notáveis mostram que o retrospecto na primeira fase não define o campeão: em 1990, a Argentina passou em terceiro e foi até a final, perdendo para a Alemanha.
Quatro anos depois, em 1994, foi a vez de a Itália se classificar na terceira posição de sua chave e chegar à decisão contra o próprio Brasil, que acabou conquistando o tetracampeonato nos pênaltis.
O modelo de classificação estrita dos dois primeiros colocados foi adotado em 1998 com a expansão para 32 seleções e durou até 2022, abrindo espaço agora para a atual fórmula mais inclusiva e imprevisível.







