Ícone do site Repórter Nordeste

Pelo direito das mulheres: repúdio a FEB e Abrame

Em pleno século XXI estamos a refletir sobre o esforço empreendido no século XIX para criar uma terminologia asséptica que fosse capaz de distinguir Espiritismo entre o caldo de profusões espiritualistas. Hoje, o termo Espírita, comporta não apenas uma confusa profusão de crenças e comportamentos, como carrega a dualidade “arcaico” e “progressista”.

No Brasil, o arcaísmo espírita é arrogante, dono da verdade conservadora que por vezes acata a aura cristã vinculada à  ideia de caridade e outras vezes atua de forma crua, defendendo dogmas acima dos valores humanitários apregoados pelas ações atribuídas a Jesus Cristo.

Este país se tornou um celeiro de comoções vinculadas a religiões e o espiritismo conservador inseriu suas bases na proposta, como uma religião dos espíritos, embora isso contradiga Allan Kardec.

Neste caminho de intencionalidades mantenedoras que diminuem os efeitos da razão de pertença a um tempo histórico que necessita impulsionar evoluções coletivas, a Federação Espírita Brasileira (FEB) mostra sua participação política refugiada no apoio institucional da Associação Brasileira de Magistrados Espíritas (Abrame) para oferecer subsídio  contra o aborto legal, que tem valido a mulheres vítimas de estupro.

Ou seja, os espíritas religiosistas levaram ao Supremo Tribunal Federal uma proposta de atuação contrária à Constituição Brasileira, que é um ínfimo recurso do Estado à mulheres vítimas de estupro (uma das violências máximas que nossos corpos podem vir a sofrer por causa do machismo, patriarcado e misoginia) usando como escopo a defesa da vida e condenação do aborto.

A mulher viva e inteira, sendo vitimada pela subjugação de um corpo masculino que a engravida, volta ao estado de corpo amorfo, espírito que merece sacrífico, para justificar a reencarnação de outro espírito.

Estes espíritas não nos representam! Fazem parte de um grupo de espíritas ligados a outros senões políticos violentos em nome de defesas esdrúxulas de base conservadora.

A terminologia Espírita não foi capaz de criar uma distinção áurica efetiva, como está provado. Talvez porque não seja de distinção que o verdadeiro amor precisa para se manifestar no mundo, seja ele qual for.

Como mulher espírita registro minha indignação e repúdio por qualquer atitude que invisibilize os direitos de quem nasceu e precisa de amparo, defesa política, jurídica e institucional de grande alcance, usando como justificativa espíritos desencarnados.

Acreditamos na força da vida, que se manifesta todos os dias na natureza ferida, nas famílias perseguidas, e na sabedoria eterna feita em renovação. Por isso mesmo, compreendemos que os direitos constitucionais precisam ser respeitados e fortalecidos, amarrando conquistas sociais à evolução humanitária supra-religiosa.

A evolução espiritual é política.

Sair da versão mobile