Uma situação que me incomoda é ver pessoas físicas abraçarem causas coletivas e fecharem os braços em torno delas, se tornando mais centrais do que as causas. Impossibilitando adesões livres, movimentos autônomos, crescimento das lutas.
Aprendi cedo que tais comportamentos podem revelar as verdadeiras intenções dos manipuladores temáticos, que costumam possuir temperamento eivado de intolerância, principalmente voltada aos que discordam do seu jeito de fazer.
A intencionalidade política de quem promove determinadas lutas, é o alvo principal das análises que faço antes de interagir com as personalidades feitas representações. Nem todas merecem nossas contemplações ou contribuições.
Contudo, creio que do lado de cá, na sociedade-lugar-comum, nós também podemos contribuir para democratizar a força representativa, diminuindo o alcance dos manipuladores de lutas sociais; como, por exemplo, abrir o leque de legitimidade de fala para outros entes, considerando inclusive, os envolvidos diretamente nas causas.
Como não pleiteio amarrar amizades na cintura e continuo zelando pelo meu perfil de livre pensadora, me reservo o direito de levantar as poeiras desse tabu, pois é muito triste ver temas gigantes sob o domínio de personalistas pseudo-representativos.
Por opção de transformar luto em luta, sigo pesquisando e atualizando meus escritos sobre as multifacetadas expressões da violência, sobretudo, entre Sergipe, Bahia, Pernambuco e o Atlântico, neste reduto de poesia e lágrimas chamado Alagoas. Daí a ser “dona” do tema, tomo distância… e o contentamento virá quando for possível institucionalizar um observatório que abra suas portas para militantes, pesquisadores e interessados em construir uma sociedade pacífica e cidadã.





