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Pedindo voto a quem não gosta de Lula

Escolher palavras para expressar o quanto essa esperança aquece o coração brasileiro sem cair na roda da trivialidade, para dizer o quanto será importante para a nossa história eleger Lula em 2022, me faz franzir o senho.

Porque essa não é uma história de mera opinião, não cabe no achismo, tampouco pode ser reduzida ao ufanismo torcedor.

Lula é uma energia tensionada por milhares de sentimentos, interesses, jogos de astúcia e controversas manobras de sobrevivência política, em um país de sobreviventes.

Mas é necessário!

Inquestionavelmente necessário!

Razões? Cada recanto da vida e da história expõe a sua.

Até os bordões ridículos utilizados no tempo obscuro se jogam aos pés de Lula, para ganhar sentido. Porque a pátria pede esperança!

Depois da experiência injusta de uma prisão política arquitetada pelas altas cortes do seu país, incorporar o idoso sábio, com maestria republicana no porte e na palavra, confere ao político uma alcunha ímpar, porque as piores de todas as sabedorias possíveis, são aquelas angariadas pelo saber perder.

Lula é aquele que perdeu. Mas despojado não morreu, superou tristezas que jogariam qualquer outro na vala escura da descrença no ser humano, nas instituições do próprio país, mas até a isso Lula resistiu.

Lhe tiraram amores, negaram respeito e dignidade nas horas de dores, mas Lula não desumanizou sua essência libertária.

Conhece mais do que cada leitor, do que todos nós, o peso que lhe compete carregar em nome das aspirações de sobrevivência que inflamam o peito do eleitor nesta hora de lutos e lutas, porque comunga de dentro para fora com as necessidades de superação deste capítulo bisonho da nossa história.

Se você não gosta de Lula porque disseram que ele era ladrão, seu simplismo pode causar imensa vergonha quando a consciência profunda de uma nação continental pede socorro pela própria democracia, também ameaçada.

Se despreza Lula porque ele gosta de pobre, toma cachaça, tem o fenótipo nordestino, seus critérios jazem por terra caídos, quando este Brasil mestiço, plural, diverso e resistente clama por sobrevivência e recomeço da história humanizada, lacrada em direitos que lhes foram tomados, primordialmente, o de viver.

Lula vai vencer essa eleição se você também abrir sua mentalidade e vislumbrar que o pleito de 2022 é um chamado de ressurreição ao país que enterrou muito mais do que deveria em uma pandemia anunciada com orientações preventivas, mas que foi menosprezada e tornada palanque da necropolítica, às custas do ar que nossos irmãos manauaras não tiveram pela falta de cilindros de oxigênio e faleceram massivamente.

Cada canto desse país tem uma dor silenciosa que a mídia não divulgou, porque não tem sido possível saber tudo quando a cascata de desdita se derrama ao mesmo tempo por tantos ângulos e lugares distintos.

O voto em Lula se tornou confissão de bom caráter.

Porque nós precisamos de um presidente para criticar dentro das possibilidades democráticas de transformação para o melhoramento da vida nacional.

Chega de palanques obtusos, espetáculos danosos de escrotices que para nada serviram além de macular o espectro político de nosso povo diante do mundo e enriquecer milícias e milicianos, sejam civis ou estatais.

Basta de show de horrores!

É hora de ajudar a natureza a gestar manhãs de aquecimento, florações novas e recuperação de sabores aos frutos que serão colhidos amanhã.

Precisamos retomar as pautas humanitárias, étnicas, trabalhistas, e incluir as diversidades nas listas prioritárias desta sociedade a ser refeita.

Precisamos de Lula, porque sua dor o fez representante das nossas e vice-versa.

Deixa para fazer críticas ao presidente eleito quando a democracia estiver devidamente protegida, os conselhos ativados, os sigilos criminosos desbancados. Aí teremos voz outra vez!

Precisamos do seu voto junto ao nosso, formando uma ciranda colorida que reflete o vermelho da dor e do amor que se conjugam agora para fazer pulsar essa fresta de vida; alimentando essa chama de razão e emoção, presentes no ardor apaixonado por um Brasil ao qual possamos voltar a chamar de país de todos, onde Deus dançará com os índios, ciganos e mulheres, convidando homens e meninos a crescerem com a luz da lua.

Vota em Lula, que o sol já está raiando para nós.

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