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Cobrado por seus eleitores em Recife, onde tem 91% de aprovação, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), tomou a decisão de assumir o processo sucessório na capital pernambucana em razão do impasse na pré-candidatura do PT. O senador Humberto Campos foi eleito na última segunda-feira por 28 votos a 17 pelo diretório municipal petista, no mesmo dia em que o prefeito, João da Costa, recorreu à direção nacional reivindicando a chance de disputar a reeleição.
Diante deste cenário de briga interna do PT, no comando da administração de Recife há 12 anos, Campos tomou a decisão de lançar um candidato próprio do PSB. Por mais que não anuncie oficialmente, nos bastidores, ele já iniciou a oitiva junto aos partidos que formam a Frente Popular – ao todo, são 16 legendas.
“Tínhamos que respeitar a dinâmica do PT, até pela sua importância, mas o fato é que estamos a 15 dias do período final das convenções, e não há sinal de unidade. Há ações na Justiça, outdoors na cidade, recursos para instâncias partidárias, e não tem um debate sobre a cidade sendo feito nesse momento”, reclamou o governador, após sua palestra na Rio Clima, evento paralelo à convenção da ONU para desenvolvimento sustentável, no centro do Rio de Janeiro.
“Para a indicação de um candidato à Prefeitura, seria necessário que o PT construísse sua unidade interna, porque se você não consegue unir dentro de casa, como é que você vai unir um conjunto de partidos, uma sociedade em torno de ideias e de um programa que ajude a vida do povo melhorar?”, questionou.
O governador afirmou ainda que está “ouvindo os partidos um a um” e, no último domingo, “disse para o prefeito João da Costa que iria me envolver neste debate e vou ter na próximas horas uma conversa com o senador Humberto Costa”. “A hora de tomar a atitude será tão logo eu terminar de ouvir todos estes que assistiram calados por tanto tempo um filme que ninguém gostou de assistir”, completou.
Outro indício de que o PSB possa lançar candidato próprio está na exoneração requisitada pelo diretório estadual do partido, na semana passada, de quatro secretários da administração socialista no Estado, que seriam possíveis nomes para concorrer à Prefeitura. São eles: o deputado federal que ocupava a pasta de Cidades, Danilo Cabral, o secretário da Casa Civil, Tadeu Alencar, o chefe da secretaria de Articulação Social, Sileno Guedes, e do Desenvolvimento Social, Geraldo Júlio.
“No entendimento do PSB, na oportunidade que me levaram os pedidos de exoneração destes secretários, é que era importante tê-los em condição de representar o partido e unificar a frente”, explicou Campos. “Não há debate sobre educação, saúde, segurança, etc. Esta confusão toda está tirando do PT a possibilidade de liderar este processo de unificação. Quem está dizendo isso, eu ou os fatos? Os fatos dizem isso. Os partidos que eu tenho escutado, todos estão dizendo isso também”, completou.
Histórico das brigas
Antes mesmo do senador Humberto Costa entrar na briga, a pré-candidatura do PT à Prefeitura do Recife já se mostrava para lá de confusa. O atual prefeito João da Costa venceu o deputado federal Maurício Rands, nome que teria sido indicado por Eduardo Campos para a disputa, mas a executiva nacional anulou o pleito interno alegando irregularidade dos votantes.
Novas prévias chegaram a ser anunciadas, mas Rands se viu obrigado, diante da pressão da executiva do PT, a abrir mão da disputa para a entrada de Humberto Costa. A partir daí, sem forças para reverter a situação, um grupo passou a espalhar outdoors pela capital pernambucana enaltecendo os feitos da administração João da Costa.
Nesta quinta-feira, inclusive, o Ministério Público Eleitoral (MPE) notificou o prefeito para que retire das ruas todos os cartazes que defendem sua reeleição. A promotora eleitoral Luciana Dantas, autora da notificação, explica que o prefeito é responsável pela retirada dos cartazes mesmo que não tenha tido a ver com a sua colocação, pois é o beneficiário da propaganda.
Na última segunda-feira, Humberto Costa venceu as prévias, consolidando sua pré-candidatura em Recife, mas no mesmo dia o atual prefeito entrou com uma representação junto a direção nacional do PT contestando a indicação do senador.






