Recurso ao processo que apura o crime de racismo promovido pelo pastor José Olímpio, da Assembleia de Deus, está parado desde 14 de junho no gabinete do desembargador José Carlos Malta Marques, do Tribunal de Justiça de Alagoas.
O blog aguarda resposta do gabinete de Malta Marques.

O pastor foi condenado à prisão (mas recorre em liberdade) em 25 de abril do ano passado, após dizer em post na internet que orava peia morte do ator Paulo Gustavo. Na época, ele estava internado com Covid-19. Gustavo morreu em 14 de maio de 2021. Ele era assumidamente homossexual.
O pastor escreveu: “Esse é o ator Paulo Gustavo que alguns estão pedindo oração e reza. E você vai orar ou rezar? Eu oro para que o dono dele o leve para junto de si”.

Após repercussão negativa, o pastor pediu desculpas (leia pedido completo no final desta matéria).
Em depoimento, o pastor disse ter feito a postagem mas a “mídia interpretou de forma diferente do que o interrogado pensou e escreveu e que a mensagem não fazia qualquer referência a orientação sexual do ator”. Disse também que a “mensagem foi para que as pessoas se aproximassem de Deus, que era onde podiam obter socorro”. Explicou também “que a expressão “o dono dele” contida na mensagem se refere a Deus, já que segundo a Bíblia, Ele é dono de todos, mesmo daqueles que não creem”.
Disse também que recebeu prints após apagar a postagem. Prints “de pessoas que começaram a criticar o evangelho e os pastores e, por conta disso, fez a segunda postagem com pedido de desculpas direcionado a família do ator e a todos que admiravam o trabalho dele”.
“De forma confusa, contou que, nesta última postagem, usou a expressão “honra de Deus” porque as religiões estavam sendo atacadas por causa de sua postagem inicial e que a defesa da honra de Deus teria sido feita nessa última manifestação. Além disso, perguntado expressamente, não soube explicar qual a insensatez que ele teria cometido e a que se referiu na segunda postagem”, diz a ação.
E, por fim, contou que “é pastor de uma igreja inclusiva, que tem parentes e amigos homossexuais, que nunca fez qualquer discurso homofóbico e que a imagem escolhida foi aleatória e que sequer conhecia bem o trabalho do ator Paulo Gustavo e somente soube da fama dele após as postagens que geraram esse processo”.
Em 1a instância, a Justiça não acatou os argumentos do réu. E ele foi condenado por racismo.
“PEDIDO DE DESCULPAS E PERDÃO.
Mediante esta, quero apresentar-me ao publico com uma nota dupla: primeiro, para pedir desculpas, pois o pedido de desculpa deve ocorrer quando se cometer um ato falho sem a intenção de ofender ao atingido. Por isto, em primeiro lugar peço desculpas, pois, quem me conhece, sabe que do meu intimo jamais eu ofenderia propositalmente alguém, estou dessa idade Para conferir o original, acesse o site https://www2.tjal.jus.br/pastadigital/sg/abrirConferenciaDocumento.do, informe o processo 0724140-91.2021.8.02.0001 e código 59C2907.
Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por YGOR VIEIRA DE FIGUEIREDO, liberado nos autos em 27/04/2022 às 14:57 .
fls. 235 Juízo de Direito da 14ª Vara Criminal da Capital -Crime Contra Menor/Idoso/Deficiente e Vulnerável Av. Presidente Roosevelt, 206, Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, Barro Duro – CEP 57045-900, Fone: 4009-3577, Maceió-AL – E-mail: [email protected] e por aonde passei foi construindo amigos e servindo a quem precisa com o que estar ao meu alcance. Para saber quem é a pessoa deve-se buscar a começar na família, na vizinhança onde se criou e viveu e na igreja onde é membro. Se forem procurar falhas e imperfeições em mim, vão encontrar muitas, mas, malignas intenções, creio que não encontrarão.
Considerando esse preâmbulo, peço DESCULPA, pois nunca foi intenção do meu Coração ferir, ofender ou machucar a nenhum dos ofendidos (que são aos milhares), a começar do ator Paulo Gustavo, que foi atingindo diretamente, passando por seus familiares, amigos, admiradores e muitos fás, pois o mesmo é uma pessoa querida no mundo artístico. A minha insensatez foi tentar defender a honra de meu Deus, muitas vezes ultrajada de muitos modos e de muitas maneiras e por muitas pessoas, esquecendo-me eu, de que Deus, o Criador do céu e da terra não precisa de quem defenda a sua honra. Quão tolo eu fui! Por ter escrito a sandice que escrevi, mesmo sem no meu íntimo desejar a morte de ninguém, pois apesar de minhas fraquezas, sou um cristão convicto. Peço mil vezes a todos:
DESCULPAS, DESCULPAS. DESCULPAS!




