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Paulo Guedes descobre o milagre econômico: Brasil tem de liberar o gás

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O Brasil geraria seis milhões de novos empregos, diziam, quando a reforma trabalhista fosse aprovada.

E ela foi.

Quase dois anos depois, saímos de 12 milhões para 14 milhões de desempregados.

A Conferência Internacional do Trabalho, ligada à ONU, completou 100 anos em 2019. E divulgou um ranking cruel: pela primeira vez, o Brasil entrou na lista dos dez piores países do mundo para a classe trabalhadora.

O Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho associa este dado à aprovação da reforma trabalhista.

Na comunidade internacional, quando se fala de condições de trabalho, somos comparados ao Zimbábue, Bangladesh e às Filipinas.

Caminhamos para o precipício.

O Paulo Guedes disse à Reuters que tem um plano para o PIB da indústria crescer até 10,5%.

Não, não é a reforma da Previdência.

É abrir o mercado nacional de gás natural. Nas previsões dele, se o Brasil não tiver mais o monopólio na distribuição do gás, ele vai baratear 40% em menos de dois anos.

Viria daí o milagre do crescimento econômico, como aquele da reforma trabalhista e seus 6 milhões de novos empregos de mentirinha.

Ontem, na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, foi apresentado um estudo da Fundação Getúlio Vargas dizendo que, mesmo na crise, os 10% mais ricos do Brasil passaram a ter 52% da renda nacional.

Antes, eram 49%.

Do outro lado, os 50% mais pobres viram sua parcela na renda nacional cair de 5,74% para 3,5%.

Isso significa que a renda está mais concentrada em poucas mãos, pressionando o aumento da pobreza.

63,4% das famílias estão endividadas. Elas não têm o que dizer para as empresas de cobrança ligando dezenas de vezes todos os dias e ameaçando de inclusão no Serasa ou a cobrança extra-judicial da dívida.

Sem trabalho, sem honra se morre se mata, dizia Gonzaguinha. O Brasil está em liquidação para quem quiser levar por qualquer valor na comunidade internacional. Grávidas podem trabalhar nas piores condições.

A vida humana do povo é um pedaço de carne podre.

As leis só valem para os mais fortes. E a era Bolsonaro ajuda a costurar novos padrões éticos. Tudo é muito cruel. E a ética é não ter ética. Que o povo com fome coma brioches.

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