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Paulo Dantas busca a “união por Alagoas”, agora com Renan e Lira

O deputado Paulo Dantas (MDB) busca se viabilizar como governador-tampão em 2022, caso Renan Filho (MDB) deixe a administração estadual em busca da vaga ao Senado, hoje ocupada por Fernando Collor (PROS). Dantas busca a improvável, mas não impossível, união entre Renan e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), numa estratégia manjada. Alagoas já assistiu a este filme quando Divaldo Suruagy e Guilherme Palmeira protagonizavam a política “a quatro mãos” nos tempos da ditadura e por mais alguns anos após a redemocratização.

Aliás, o passado e o presente se assemelham tanto que a História parece se repetir.

Paulo Dantas é filho de Luiz Dantas e de dona Silvana Suruagy, prima de Divaldo. Aposentou-se da política alagoana como presidente da Assembleia e elegendo o filho como seu sucessor. Foi 3 vezes deputado federal, de 1991 a 2003. Em Brasília, um de seus maiores amigos era Olavo Calheiros, deputado federal no mesmo período. Olavo é tio de Renan Filho e irmão do senador Renan Calheiros (MDB).

Luiz Dantas não conseguiu a 4a reeleição, no ano de 2004. Seu retorno para a política foi facilitado pelo então governador Teotonio Vilela Filho (PSDB): em 2006 virou diretor de Operações do Departamento de Estradas de Rodagem, o DER, que cuida das estradas alagoanas.

Téo Vilela e Luiz Dantas têm histórias em comum: suas famílias são de grandes produtores rurais. Os Dantas colecionam milhares de cabeças de gado e terra, muita terra em uma trajetória de busca pelo poder e assassinatos.

Téo Vilela é herdeiro da usina Seresta que era do seu pai, o velho senador Teotônio Vilela, uma das vozes da redemocratização brasileira.

Já Paulo Dantas e Renan Filho tiveram infância e adolescência em Brasília, assistindo, ao vivo e dentro de casa, o desenrolar da história: ambos tinham 13 anos quando Renan Calheiros ajudou nas articulações para o impeachment de Fernando Collor, então presidente da República. Luiz Dantas foi um dos 441 votos sim na Câmara pelo afastamento de Collor.

Em 2005, os dois começaram a carreira política em cercanias eleitorais dominadas há décadas por suas famílias: Renan Filho foi eleito prefeito de Murici; Paulo Dantas, prefeito de Batalha.

As articulações de Paulo Dantas na Assembleia ajudaram a aprovar o cartão CRIA (R$ 100 para 180 mil famílias, espécie de bolsa família estadual), além de projetos de duplicação de rodovias estaduais, que garantem milhares de empregos (e votos). “É uma voz em defesa do efetivo funcionamento dos novos hospitais, para qualificar o atendimento à população e desafogar o HGE, em Maceió”, diz sua biografia pendurada no site do legislativo estadual, corroborando com a política do Governo Renan: construção de hospitais e abertura de novos leitos em tempos de pandemia.

Renan e Paulo estiveram em lados opostos uma única vez: na eleição a presidente da Assembleia. O governador apoiava o tio Olavo; Paulo ficou com Marcelo Victor.

A ideia: Renan, ao deixar o Governo, entregaria ao tio o comando do Estado. Não deu certo.
Em revide, Renan exonerou os indicados pelos deputados da máquina estadual. A estratégia foi um fiasco. 26 dos 27 deputados estaduais votaram em Marcelo Victor para a Presidência da Casa.

Intuindo a derrota, Olavo retirou sua candidatura e deixou o plenário no dia da eleição, para não votar em Victor.

Hoje, Paulo Dantas se junta a Arthur Lira e Renan Filho. A união por Alagoas é recauchutada para que os herdeiros possam passar na avenida, sob os aplausos de uma multidão que esqueceu o passado. A história se repete, mas na segunda vez será uma farsa? O tempo dirá.

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