Quando nosso olhar desvia da rota do próprio umbigo, um mundo de configurações diversas se nos revela as belezas e também as atrocidades que as gerências públicas em parceria com as privadas podem nos proporcionar.
Infelizmente, o maceioense encontra muito mais as atrocidades!
Quem não usa transporte coletivo em Maceió precisa fazê-lo ao menos uma vez para ter noção do que seja essa saga. Ainda indico uma linha específica: apanha o ônibus Ufal-Ipioca ao anoitecer.
Sufocante sensação de estar em um elevador descendo acelerado até o caldeirão fumegante do diabo: um inferno!
Obviamente nossa intenção não é apenas registrar o desconforto.
Cada experiência social cotidiana marca a subjetividade individual e coletiva, porque nos chegam assertivas dizendo quem somos para o mundo. Depender de um sistema de transporte coletivo como o de Maceió, de alguma forma é estar fadado ao desmonte da estima.
A individualidade do trabalhador já está bombardeada por diversas mensagens opressivas, acentuadas pela conjuntura de precarização das relações de trabalho, incertezas quanto ao dia de amanhã e desvalorização salarial, que o coage a viver do mínimo.
Essa minimização do ser social ativo o coloca numa categoria marginal dentro do próprio espaço de produção de bens e riquezas. Nada é dele a não ser o compromisso de trabalhar.
O retorno para casa é a síntese de sua tragédia social!
Õnibus retardatário, com mais de uma hora de espera em cada parada, preenchido com uma massa de desanimados, cansados, disputando cadeiras que raramente os acolhe.
Para os motorizados do mundo político essa realidade paralela é apenas recheio de discurso. Impondo a lógica desumana e arbitrária de utilizar as gerências públicas em benefício próprio, tais indivíduos marcam a história das comunidades com o acréscimo de sofrimento desnecessário.
Sendo pagos com dinheiro público para gerenciar os interesses coletivos, crêem-se autoridades dignas de mimo e enriquecimento instantâneo, afastando-se do que lhe justifica a existência, que é trabalhar para o povo.
Um séquito de bem pagos ajuda a consumar o descaso que resulta nessa saga de infelicidade cotidiana àqueles que verdadeiramente trabalham para manter o sistema funcionando.
O convite continua de pé: quer conhecer a sua cidade, usa o transporte coletivo maceioense dando preferência aos que circulam pela parte alta e prepare-se para viver emoções fortes!