O senador Renan Calheiros se posicionou a respeito da pré-candidatura de Davi Davino Filho ao Senado, lançada neste sábado.
Para Calheiros, a decisão de Filho é definitiva. E sem ele na disputa, dois nomes acabariam beneficiados: Arthur Lira e Alfredo Gaspar de Mendonça.
Por isso, para o senador, a pré-candidatura é “importante e irreversível”.
Isso quer dizer que o lançamento de Davino é uma tomada automática de um espaço disputado apenas por Lira e Gaspar. Daí a avaliação de Renan ser pragmática pois a oposição passa a ter três nomes ao invés de dois para o Senado. Enquanto o campo de Calheiros tem dois: o de Renan e José Wanderley Neto, lançado semana passada.
Por isso, interlocutores afirmam que Renan vê com naturalidade a presença de Davi na corrida eleitoral e considera positiva a ampliação do número de candidaturas competitivas ao Senado. Esse movimento é acompanhado atentamente por praticamente todos os atores relevantes da sucessão estadual. Entre eles, Arthur Lira, Alfredo Gaspar e até o ex-prefeito de Maceió, JHC, que não descarta descer ao Senado.
Entre aliados de JHC, o entendimento é que o projeto preferencial do ex-prefeito sempre foi disputar uma vaga no Senado. A saída do PL e a resistência em construir uma composição política com Arthur Lira e Alfredo Gaspar são apontadas por integrantes do seu grupo como sinais de que essa possibilidade continua sendo considerada.
Do outro lado, Arthur Lira também monitora os movimentos de Davi. Segundo interlocutores, o deputado federal tem dito a aliados que, em um cenário sem a candidatura de Davino, teria condições de superar Renan Calheiros na disputa. A declaração ajuda a explicar por que a permanência de Davi no páreo desperta tanto interesse. Sua candidatura deixou de ser apenas uma hipótese e passou a influenciar diretamente os cálculos de todos os concorrentes.
Questionado sobre a retirada de candidaturas, Renan Calheiros foi taxativo ao destacar a dificuldade de uma operação desse tipo. “Na política, a tarefa mais difícil é retirar candidato da disputa. Tanto que sempre respeito e valorizo as candidaturas. Todas, sem exceção, elevam a representatividade das eleições”, afirmou.
Já Alfredo Gaspar chegou a ensaiar uma aproximação com JHC nos últimos meses. As conversas, porém, não avançaram e a construção de uma aliança entre os dois permanece indefinida. Por enquanto, a principal dúvida dos bastidores deixou de ser se Davi Davino será candidato. A questão passou a ser qual será o impacto de sua candidatura sobre os planos de Arthur Lira, Alfredo Gaspar e até do próprio JHC.
Porque, para quem acompanha a movimentação política de perto, o lançamento deste sábado tem mais cara de largada do que de negociação.



