Nestes dias em que casos de trabalho escravo são revelados pelo país, o silêncio da classe política de Alagoas fala alto.
Porque há sujeira no quintal de casa.
As condições de cultivo e colheita da cana de açúcar revelam o nosso atraso enquanto civilização- e isso também em Alagoas mas não apenas nela.
Quando a degradação estava entre os Yanomami, deputados e senadores faziam coro ao resto do país.
Quando vieram as denúncias sobre os bastidores das vinícolas, carvoaria, os olhos fecharam e a boca, secou.
Há um travo na garganta.
Não é desconhecimento ou falta de informação. Mas o sentido construído para as coisas: quando relações seculares entre empregado e empregador vêm à tona, principalmente nos setores rurais, a tendência é aceitar que os meios justifiquem os fins.
Brasil, celeiro do mundo, grita muita gente. Mas como fica o trabalhador após anos de hiper exploração, arrancando até o seu bagaço?
Em tempos de extrema direita, não podemos esquecer também que a pauta moral busca esconder a fome em cada centímetro de terra dos olhos da multidão. Também no partido da cana de açúcar. E suas usinas poluentes e cortejadas pelos fiscais de plantão.




