As tradições das festas juninas viraram crime para órgãos ambientais.
Sabia-se que nesta época as pessoas montavam suas fogueiras nas portas de casa. Existia até um comércio informal: quem tinha habilidade, ia para as matas recolher as madeiras e vendê-las a um preço justo ou não.
Fazer isso virou crime.
Mas estes mesmos organismos ambientais dizem que não é crime quando uma usina de açúcar polui o ar com substâncias químicas.
Ou joga os restos da lavagem da cana nos rios, matando peixes.
Também não é crime plantar indiscriminadamente eucaliptos no lugar da cana-de-açúcar. E ao redor destas plantações está o sistema pratagy que ainda abastece uma parte de Maceió.
Se a polícia ambiental me flagrar carregando madeira de nossas matas para fazer uma fogueira, posso ser preso e processado.
Mas se usineiro destruir milhares de árvores, acabar com o solo, invadir a área de mata Atlântica, transportar cana-de-açúcar para moagem em caminhões caindo aos pedaços e sem as mínimas condições de segurança, este usineiro é chamado de gerador de empregos.
É o nosso paroxismo.
A tradição das fogueiras de junho está morrendo em Alagoas.
A tradição das usinas devastando o meio ambiente permanece viva, com a mesma chama que torra a vida dos trabalhadores – ontem escravos- em safras milionárias fabricando miséria social.
De fato, a interpretação das leis no direito brasileiro favorece quem tem muita grana para gastar.
E quem não tem dinheiro para comprar uma mão de milho a R$ 30 na capital alagoana e é proibido de catar madeira em nome do “meio ambiente”, que asse e coma brioches.
As leis e seus intérpretes são desses.


