Antônio Rocha-Empresário e presidente do Sistema Fibra (Federação das Indústrias do Distrito Federal)-Correio Braziliense
Fevereiro marca o início de mais um ano letivo. E foi com muita honra que atendi ao convite da direção de uma instituição de ensino superior de Brasília para levar a minha experiência de vida profissional para a aula inaugural de estudantes que ingressam agora no mundo acadêmico, em busca de carreiras bastante heterogêneas. Como missão, transmitir a esses jovens sonhadores qual é a realidade do mercado de trabalho atual da capital federal.
Ao longo dos 50 anos, o DF mudou. Não somos uma cidade meramente administrativa. Temos um setor produtivo em desenvolvimento. Vamos aos números apresentados. O Produto Interno Bruto do Distrito Federal referente a 2010 mostra crescimento de 3,6% frente ao ano anterior, com resultado impulsionado pela alta de 7,5% do setor industrial e apenas 3,3% do de serviços. Mantendo-se esse cenário pelos próximos anos, a economia do DF necessitará de outra fonte de crescimento e o setor industrial se mostra como principal alternativa.
A taxa média de desemprego no Distrito Federal fechou 2011 em 12,4%, contra os 13,6% apurados em 2010 — uma boa notícia para quem está entrando no mercado, já que a tendência para os próximos anos é de maior diminuição no desemprego. A Copa do Mundo surge no calendário como o maior celeiro de oportunidades para o mercado de trabalho, principalmente na indústria. Mas o momento também é extremamente propício para o empreendedorismo.
É importante que os estudantes brasileiros tenham visão para os negócios. Os jovens, principalmente aqueles que estão em busca do primeiro emprego e os que estão saindo da universidade com a esperança de uma boa colocação, são os que mais sofrem com o encaixe no mercado de trabalho. Há um paradoxo entre oportunidades de trabalho e emprego: nosso cenário mostra que carteira assinada é artigo cada vez mais em extinção. O segredo está em tirar o foco da estabilidade de um emprego e colocar no trabalho.
A notícia boa é que os jovens brasileiros estão empreendendo mais. Segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor, do total de jovens entre 18 e 24 anos no Brasil, 15% empreendem, o equivalente a 3,82 milhões de pessoas. O Brasil está em terceiro lugar no ranking mundial, atrás apenas do Irã (29%) e da Jamaica (28%). Em 2010, por exemplo, a Taxa de Atividade Empreendedora (TEA) foi a mais alta desde o início da realização da pesquisa no país.
Pelo que constatamos, o brasileiro está aproveitando o ensejo. E o mais animador é observar que o empreendedorismo motivado pela oportunidade volta a ser maior que o dobro do que o empreendedorismo por necessidade. Cerca de 68% dos jovens empreendem por oportunidade e de 32%, por necessidade.
A pesquisa revela que o jovem empreendedor por necessidade tem renda e escolaridades baixas, desempenhado principalmente serviços orientados ao consumidor, em segmentos como comércio e alimentação. Já o jovem empreendedor por oportunidade diferencia-se por dispor de renda e escolaridade maiores, iniciando seus negócios com atividades mais especializadas, com mais intensidade de serviços orientados à empresa.
O mesmo estudo, porém, nos apresenta um desenho com cores sombrias: o Brasil é o país com uma das menores taxas de inovação. E cabe aí um desafio estimulante para a juventude: apostar em novas nuances de negócios, importar tecnologias, mapear soluções inusitadas para questões recorrentes. Em tempos de redes sociais pujantes, não nos parece ser tão complicado vencer esse desafio.
É necessário ousar com o pé no chão. Além de empreender, precisa-se colocar em segurança a sobrevivência do negócio. Segundo o Sebrae, a taxa de mortalidade das micro e pequenas empresas brasileiras é de 80% antes de completarem o primeiro ano de funcionamento. Já nas empresas que passam por incubadoras, esse índice cai para 20%. Para bom entendedor, um pingo é letra.
O empreendedor é o grande ator do crescimento econômico e do desenvolvimento sustentável de uma nação. Sua atuação se reflete nas transformações econômicas, sociais e ambientais da sociedade e é responsável direta pela evolução e bem-estar do cidadão. Entretanto, é necessário primar sempre pela inovação. Uma empresa só consegue ser inovada atuando em ambiente inovador. Esse é um desafio que precisamos enfrentar.








