São milhares de brasileiros, comemorando a condenação do líder fascista e seus asseclas.
Desde o último dia 11 de setembro que parte desse país não mede festejos. São pessoas ruins, por causa disso?
Obviamente que não!
Mesmo que as ciladas da culpa cristã rondem as redes sociais, há um ímpeto de energia histórica saneada pelo gesto institucional tardio.
Sim, o Brasil sentia falta de punição formal aos infratores ricos que vilipendiaram os sistemas comuns, sob a tutela da democracia ferida.
O golpe de 64 seguia impune, e todos os outros que imprensaram a nação em situações de exceções também zombavam da cidadania brasileira. Um sentimento de cansaço ameaçava a história. O descrédito da justiça se tornou parte do cotidiano, que aprendeu a conviver com a punição máxima aos pobres e total descaso para com os malefícios individuais e coletivos causados por ricos e poderosos.
O Brasil precisava assistir a este fenômeno formal de julgamento e condenação de infratores da classe A.
Porque eles feriram o próprio país, sob algazarras, ódio e pilhéria.
No governo de Jair Bolsonaro o índice de dor social foi aumentado de modo absoluto, gerando vítimas e algozes no seio das famílias brasileiras. Perdas humanas, perdas morais, mais outras infinitas perdas relacionais e econômicas cercaram os quatro anos de governo, liberando enlouquecimento, solidão, depressões e medos.
Hoje o país está aliviando essa carga de sombras. Bebendo nas ruas e reunindo afins, para celebrar a vitória da democracia, ainda que não haja segurança, ainda que a narrativa da culpa insista, ainda que os fanáticos disputem território. O Brasil precisava sorrir assim, por este motivo óbvio e politicamente circunscrito.
O choro de ontem não será esquecido.
Mas o sorriso de hoje precisa ser largo e fecundo, para que a cidadania experimente o manto de soberana e desfile plena, enfrentando o horror.





