Onde estava o povo no XII Encontro Nacional do Poder Judiciario, realizado no Centro de Convenções em Maceió, cercado de sofisticados esquemas de segurança distanciando ainda mais magistrados das ruas?
Alagoas, segundo Estado mais pobre do Brasil, não recebeu um evento qualquer.
Foi o encontro do ano dos que interpretam as leis num país de 13,5 milhões de miseráveis; numa Alagoas onde meio milhão de famílias está abaixo da linha de pobreza.
“Nós precisamos ter uma comunicação mais unificada, mais próxima da sociedade”, disse o presidente do STF, Dias Toffoli.
Mas onde estava o povo para ouvir o presidente do STF?
Eis a questão: o povo não estava na plateia.
O Judiciário brasileiro é herdeiro do ethos monárquico que atravessou o oceano ainda em caravelas.
Mas as monarquias europeias se modernizaram. A nossa magistratura ainda crê e convence os demais desta crença da sua proximidade do absolutismo dos faraós.
Quase um deus sentado num trono confortável. Decidindo tudo, mexendo em tudo.
Nosso Judiciário ainda se crê como um poder sem males, aberto para o futuro.
Mas qual futuro quando o povo, do lado de fora, não é chamado para conversar?
Quando magistrados se tratam ou tratam uns aos outros como infalíveis? Quando a realidade para este poder imperial é um sonho a milhares de brasileiros?
Sim, o povo real não cruzou o tapete vermelho por onde desfilaram autoridades cheias de poder.
O encontro de tribunais de todo o país não serviu para acordar nossos togados. Eles ainda dormem em berço esplêndido, ao som das trombetas anunciadoras de gente importante.
E distante. Muito distante de tudo.
