É oportuno convidar os cidadãos conscientes para pensarmos juntos sobre a importância das pautas sociais baseadas em necessidades concretas de sobrevivência, como argumento de força em situações caóticas, como a que estamos testemunhando no Brasil, no momento presente.
Explico: a esquerda foi afastada de maneira paulatina e sequenciada das lutas por trabalho, educação, saúde, moradia e demais requisitos que garantem e dignificam a existência de maneira concreta, para abordar comportamentos e linguagens como matrizes de disfunções sociais.
As narrativas fizeram a sociedade entender que as desigualdades flutuam entre categorias, grupos e perfis, mantendo concordâncias e divergências no campo da opinião. Isso foi uma perda significativa de propósitos de luta histórica, sob o direcionamento de interesses das classes.
Escolas americanas influenciaram os debates ditos progressistas mas, liberais, que se apresentaram como os mais urgentes, deixando de lado as produções materiais da existência. Contudo, a classe dominante nunca mudou seus projetos de acirramento da exploração e ocupação de todos os espaços de poder.
Resultado imediato: o país não sabe mais o que move as lutas sociais, além do identitarismo e do conservadorismo.
Olhado de perto, quando grupos políticos se confrontam, não é possível distinguir quem luta para além da opinião, crenças e ideologias. O povo não se percebe nestes cenários.
Quando parlamentares extremistas berram nas tribunas sobre suas teorias da conspiração e toda sorte de criações discursivas mirabolantes, esse movimento não gera indignação suficiente nas camadas trabalhadoras, exploradas e abandonadas pelas estruturas excludentes. Para estas, a materialidade da vida segue duríssima, e sempre confrontada pelas deserções alienantes veiculadas pelos canais midiáticos abundantes.
Em resumo: onde foi parar o perfil de esquerda, na esquerda brasileira?
Arriscamos dizer que está fixado na alta produção e consumo de livros sobre comportamentos, inflamando comoções sem informações concretas sobre as causas das desigualdades no mundo. Aprendeu a distribuir jargão e fazer acreditar que a solução é empoderar grupos. Ganhou força de agitação e propaganda lado a lado com muita indiferença e repulsa.
Consciência de classe está fazendo mais falta hoje no Brasil do que em períodos mais afetados pela desinformação. Assim como já ecoamos em passado breve sobre situação política nacional, repetimos: nós avisamos!
Sem consciência de classe toda luta fatiada indicará enfraquecimento democrático no contexto global e local.
