Ao contrário do que se costuma esperar do espiritismo popularizado em romances mediúnicos no Brasil, para o espírita laico, que acredita nos princípios da reencarnação mas não assume posição de oráculo, todo desencarne é visto com respeito, independente do prestígio ou fama que a pessoa amealhou durante a encarnação recente. Por isso não é costume elucubrar sobre os seus fazeres no momento do despertar.
De acordo com o Livro dos Espíritos, “deixando o corpo, a alma volve ao mundo dos Espíritos”, e assim compreendemos que ela seguirá sua jornada infinita sem necessariamente ter que explicar a razão de ter sofrido na Terra, como nos casos dos que enfermam gravemente e arrastam períodos de luta na matéria antes de libertar-se.
Quando vozes em tons melosos costumam resumir dores físicas e morais em feixes de culpa, pagamentos e resgates, percebemos que a importância do existir é maior do que essa concepção cobradora. Nascemos neste mundo porque uma porta de amor se abre e permite experimentar encontros, renovar concepções, amealhar entendimentos a partir de vivências nos contextos variados de um mundo que inclui sociedades, culturas, e ainda mantém variadas ilusões de personalidades.
As experiências de amor podem ser mais transformadoras e marcantes para os espíritos do que os momentos de dor. Não se torna importante mapear “karma”, saber se foi exitoso em resignação ou parâmetros similares. O tempo de estar encarnado é visto com alegria no mundo das formas materiais, e o desencarne gera uma sensação de perda, ao que nos consola o Espiritismo, afirmando que “a alma possuía sua individualidade antes de encarnar; conserva-a depois de haver se separado do corpo”.
Sabemos então, que amor não morre. Seja o desencarnado rico ou pobre na experiência deixada sobre o chão, a essência não é destruída, e o retorno à vida espiritual marca recomeços.
Quando um famoso morre, é apenas mais uma volta para a casa espiritual, mas pelo nível de comoção que gera, pode nos ajudar a valorizar a porta de retorno com o mesmo zelo que temos para com a que se abre na chegada. A vida precisa de cuidados em todas as suas nuances, e este fato poderá nos motivar ao desapego das futilidades que alienam.
O tempo de amar é sempre agora. Porque nascer e morrer está para nós como o sol para o dia e as estrelas menores para a noite. Natureza com impacto em essências. Encarnados ou desencarnados, seguimos espíritos. Este legado é inconfundível, porque não precisa de autorizações nem mesmo crenças, mas é sempre válido para renascer e para desencarnar.
Desejamos que o retorno seja suave para os que desencarnam sob o alcance de tantas e variadas concepções e crenças, como no caso das pessoas famosas. Que a energia amorosa seja condutora de acolhida entre mundos.





