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Ojeriza a Bolsonaro nos levará ao Umbral?

Texto meramente opinativo, logo advirto.

Em tom de brincadeira ou não, tenho visto muitos questionamentos sobre as sensações ruins que a simples visão de Bolsonaro consegue provocar em muitas pessoas, e entre estas se encontram espíritas.

Entre outros perfis de cristãos, os espíritas são aqueles que muito se preocupam com os sentimentos que espalham na psicosfera, pois receberam litros de condicionamentos embebidos em sutis ameaças ao futuro espiritual caso expressassem “baixas vibrações”, sob irrestrita responsabilidade de cada indivíduo.

De acordo com nossos temores, devemos sempre sentir coisas boas em relação a todas as pessoas.

Mas será assim mesmo?

Quando vejo Bolsonaro, não vejo apenas um homem. Pelas energias que escolheu plasmar em torno de si, principalmente no acúmulo de tempo do qual se utiliza na condição de político, ou “homem público” ele também possui representação.

Ora é miliciano, ora declara práticas de zoofilia ou faz chacota das questões ambientais e da ecologia, para início de conversa.

Desse modo, muitas formas diferentes de sentimentos considerados ruins são despertos em milhares de brasileiros que atuam na linha contrária a dele, a cada aparição sua ou como efeito delas.

A sensibilidade de cada um de nós dirá o que mais detestamos em Bolsonaro, de acordo com os valores que preservamos ou bandeiras que defendemos. Por exemplo, uma pessoa como eu, que carrega na alma as dores causadas pela tortura, pode sentir ódio de Bolsonaro pela condição manifesta de elevar torturador à condição de herói nacional.

É um caso onde existe mais do que um sentimento ruim, mas todo um contexto remexido e sentimentos “bons” pisoteados, feridos, desrespeitados. E como Bolsonaro não representa apenas o elogio da tortura, mas uma gama de agressões à vida, em multiformes expressões, nas áreas mais impensadas, que vai desde a morfologia humana, questões raciais, regionais, relações trabalhistas, homofobia, proteção da infância e um sem fim de eteceteras, talvez o Umbral esteja mais propício a recepcionar quem consegue sentir emoções consideradas boas pela pessoa dele.

Diante do exposto, a esperança deste país pode estar exatamente na indignação que sentimos pelo governo, repudiando a pessoa que é Jair Bolsonaro, que se mostra muito mais letal do que a mímica da arminha, e revela que com uma caneta bic também é possível derrubar ideais de futuro.

Onde há Bolsonaro, não há amor. Pode existir até fanatismo, assepsia e darwinismo social, ambição, preconceitos de raça e de classe, discriminação, arrogância e alienação; mas nada disso representa elevação espiritual e ao contrário, tem induzido milhares ao erro, portanto, sentir ojeriza por ele pode representar mais saúde espiritual do que os palestrantes comuns teriam coragem de afirmar.

Bolsonaro é ódio que se derrama sobre o país. Precisamos rejeitar e combater tudo isso sem culpas.

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