Ícone do site Repórter Nordeste

Ofensiva jurídica contra desfile sobre Lula ganha força

O brilho do Carnaval da Acadêmicos de Niterói deu lugar a uma pesada batalha judicial que promete sacudir Brasília nos próximos dias.

Após a escola levar à Sapucaí o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a oposição ao governo no Congresso Nacional deflagrou uma ofensiva coordenada em múltiplas frentes, mirando desde as contas da agremiação até acusações criminais de intolerância religiosa.

O clima de “terceiro turno” saiu do plenário e desembarcou diretamente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e na Procuradoria-Geral da República (PGR).

O centro da controvérsia é a ala intitulada “neoconservadores em conserva”, que retratou opositores do petista de forma satírica.

A resposta foi imediata e irônica: parlamentares como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e outros integrantes da bancada conservadora criaram uma “trend” nas redes sociais, publicando fotos de suas próprias famílias estampadas em latas de conserva.

No entanto, o embate vai muito além dos memes. Ferreira anunciou uma representação no Ministério Público do Rio de Janeiro contra o presidente da escola, Wallace Palhares, alegando preconceito religioso contra evangélicos, que teriam sido hostilizados pela estética do desfile.

No campo eleitoral, o cerco se fecha em torno da tese de propaganda antecipada e abuso de poder econômico.

Embora o TSE tenha negado uma liminar para barrar o desfile na semana passada, a relatora do caso, ministra Estela Aranha, deve receber agora uma enxurrada de novas provas.

O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, articula um pedido de quebra de sigilo das contas da Acadêmicos de Niterói para investigar a origem dos recursos e se houve uso indevido de verbas públicas para promover a imagem de Lula, que é pré-candidato à reeleição.

O vice-líder da oposição, deputado Zé Trovão (SC), engrossou o coro ao encaminhar requerimentos formais solicitando informações detalhadas sobre a estrutura do desfile, que narrou a trajetória de Lula desde Garanhuns até o Palácio do Planalto, exaltando marcas de suas gestões anteriores.

Para os opositores, a apresentação funcionou como um verdadeiro jingle de campanha em rede nacional.

Enquanto as Frentes Parlamentares Católica e Evangélica se mobilizam para acionar a PGR por danos morais e religiosos, o Judiciário se prepara para decidir se a fronteira entre a liberdade artística do Carnaval e a legislação eleitoral foi, de fato, atravessada.

Sair da versão mobile